Estudante maranhense com lesão medular recebe tratamento experimental

Aplicação de polilaminina marca segundo procedimento do tipo no Maranhão e integra estudos sobre regeneração neuronal.
Estudante maranhense com lesão medular recebe tratamento experimental
Hector Lucena passa por tratamento experimental com polilaminina em Imperatriz (Foto: Divulgação)

Um procedimento experimental realizado neste sábado (21), em Imperatriz, abriu novas perspectivas para pacientes com lesão na medula espinhal no Maranhão. O estudante de agronomia Hector Lucena, de 26 anos, natural de Balsas, tornou-se o segundo paciente no estado a receber a aplicação de polilaminina, substância em estudo voltada à recuperação de funções motoras.

O jovem perdeu os movimentos das pernas após sofrer um acidente de motocicleta em novembro de 2025. Para participar do tratamento, a família precisou recorrer à Justiça, já que o protocolo inicial da pesquisa prevê que a aplicação ocorra até 72 horas após o trauma — prazo já ultrapassado no caso do estudante.

Procedimento integra pesquisa científica nacional

A cirurgia foi realizada no Hospital Alvorada, em Imperatriz, após cerca de 15 dias de preparação clínica. O procedimento contou com a participação de um neurocirurgião vindo do Rio de Janeiro e de integrantes da equipe responsável pelo desenvolvimento da substância.

A polilaminina é produzida em laboratório a partir de uma proteína presente no próprio organismo humano e tem como objetivo estimular a regeneração de neurônios e favorecer a reconexão das estruturas da medula espinhal.

Segundo o médico pesquisador Olavo Borges, os resultados obtidos com o paciente serão incorporados aos estudos clínicos em andamento, que ainda buscam comprovar cientificamente a eficácia do tratamento.

“O objetivo dos estudos regulatórios é medir com precisão os efeitos da medicação. Ainda estamos em fase de desenvolvimento e avaliação científica, e somente após essa etapa será possível determinar os benefícios reais”, explicou o especialista.

Após a aplicação, Hector permanece em observação médica em um apartamento hospitalar, onde será acompanhado pelas equipes responsáveis pelo estudo.

Pesquisa busca avançar terapias regenerativas

O acompanhamento científico do tratamento é coordenado pela pesquisadora Tatiana Oliveira, neurocientista do Rio de Janeiro especializada em terapias regenerativas. Ela lidera os estudos clínicos que investigam o uso da polilaminina em pacientes com lesões medulares, supervisionando desde a preparação até a análise dos resultados.

A pesquisadora integra uma equipe multidisciplinar formada por médicos, neurocirurgiões e cientistas de diferentes áreas, responsável por garantir o cumprimento dos protocolos de segurança e ética durante todas as etapas do experimento.

A expectativa dos pesquisadores é que os dados coletados contribuam para o desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas capazes de ampliar as possibilidades de recuperação para pessoas com lesões na medula espinhal no futuro.

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