A Polícia Judiciária de Portugal investiga se um corpo feminino encontrado na quinta-feira (26), na região de Viseu, pertence à maranhense Francisca Maria dos Santos, de 44 anos, desaparecida há cerca de oito meses. A confirmação oficial ainda depende da conclusão dos exames periciais e da autópsia.
Em comunicado enviado à imprensa, a polícia portuguesa informou que o cadáver foi localizado em avançado estado de decomposição, o que impossibilita a identificação imediata. Por esse motivo, serão necessários procedimentos laboratoriais para confirmar a identidade da vítima.
Até o momento, familiares de Francisca afirmam que não receberam comunicação oficial sobre a descoberta do corpo. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) também não se pronunciou sobre o caso até a última atualização.
A brasileira foi vista pela última vez no dia 20 de junho de 2025, nas proximidades da residência onde vivia em Tabuaço, município pertencente ao distrito de Viseu — mesma região onde os restos mortais foram encontrados. Segundo veículos da imprensa local, próximo ao corpo havia objetos pessoais, entre eles chaves e um par de tênis que podem pertencer à maranhense.
De acordo com relatos da família, Francisca teria saído de casa durante a noite para descartar lixo em uma lixeira pública e não retornou. O desaparecimento foi comunicado às autoridades no dia seguinte pelo namorado, identificado como Luís.
O irmão da vítima, o artista plástico Antônio José dos Santos, viajou a Portugal para acompanhar as investigações. Ele afirma ter procurado espontaneamente autoridades locais em busca de informações, mas criticou a demora inicial na condução das buscas e a falta de esclarecimentos.
Segundo Antônio, a polícia realizou diligências na residência do companheiro da brasileira. O computador pessoal de Francisca foi entregue às autoridades, porém mensagens eletrônicas e registros de comunicação teriam sido apagados. O telefone celular da vítima nunca foi localizado.
Francisca trabalhava como cozinheira em um restaurante da região e, conforme familiares, estava adaptada à vida em Portugal, onde morava havia cerca de quatro anos. Natural do povoado Nova Esperança, no município de São Bernardo (MA), ela mantinha contato frequente com a família por videochamadas.
Ainda segundo o irmão, no dia do desaparecimento, a televisão e as luzes da casa permaneceram ligadas, indicando que ela possivelmente saiu às pressas. A brasileira planejava visitar o Maranhão nos meses seguintes, após obter autorização de residência que permitiria viagens entre Portugal e o Brasil sem restrições.
O último contato com a família ocorreu no próprio dia 20 de junho. Desde então, parentes afirmam ter buscado apoio junto ao Itamaraty, consulados brasileiros em Lisboa e Porto e órgãos policiais, relatando dificuldades no acompanhamento do caso.
Inicialmente investigado pela Guarda Nacional Republicana (GNR), o desaparecimento passou posteriormente à responsabilidade da Polícia Judiciária, que confirmou que o inquérito segue em andamento enquanto aguarda os resultados periciais que poderão esclarecer a identidade do corpo encontrado.






