Uma das maiores tragédias da aviação envolvendo a política maranhense completa décadas como um dos episódios mais marcantes da história recente do estado. Na segunda-feira, 25 de março de 1996, um avião bimotor Embraer 810, de prefixo PT-EPL, desapareceu durante uma tempestade enquanto fazia o trajeto entre São Luís e Imperatriz.
A bordo estavam o piloto Antônio Carlos Vasques e os deputados estaduais Waldir Filho, Jean Carvalho e João Silva, todos do então Partido da Frente Liberal (PFL). A aeronave decolou da capital maranhense por volta das 15h.
Os parlamentares seguiam para Imperatriz, onde participariam de uma agenda institucional que transformaria a cidade, por cinco dias, em sede simbólica do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa. A programação fazia parte do projeto de governo itinerante da então governadora Roseana Sarney e incluía a realização de sessões plenárias na Câmara Municipal.
A ausência da aeronave no horário previsto para chegada causou preocupação imediata. O então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Manoel Ribeiro, já se encontrava no plenário da Câmara de Imperatriz quando foi informado de que o avião não havia pousado.
As tentativas de contato se intensificaram ao longo da noite, sem sucesso. O controle de tráfego aéreo na região era realizado pela torre de Belém, que não conseguiu localizar a aeronave. Com o passar das horas, o clima de apreensão deu lugar ao temor de uma tragédia.
A confirmação veio no dia seguinte. Por volta das 13h de 26 de março, equipes localizaram os destroços da aeronave em uma área de mata no município de Cajari, a cerca de 141 quilômetros de São Luís. Não houve sobreviventes.
A tragédia causou forte comoção em todo o Maranhão. O governo do Estado e a Prefeitura de São Luís decretaram luto oficial de três dias. A agenda institucional em Imperatriz foi imediatamente suspensa.
O avião pertencia ao deputado João Silva, em sociedade com o então suplente de senador Chiquinho Escórcio. Outros dois parlamentares, Kinkas Araújo e Hemetério Weba, também deveriam embarcar, mas não chegaram a tempo ao aeroporto. Um deles passou mal e o outro resolveu uma pendência política, o que acabou evitando que estivessem na aeronave.
Mudança na composição da Assembleia
Com a morte dos parlamentares, a composição da Assembleia Legislativa foi alterada. Raimundo Leal, primeiro suplente do PFL entre os eleitos de 1994, assumiu a vaga de Jean Carvalho.
Edmar Cutrim, então suplente, passou a exercer o mandato de João Silva. Já a vaga de Waldir Filho foi ocupada por José Eider Santos de Sousa, primeiro suplente do PP e filho do ex-prefeito de Colinas, conhecido como “Zé Banana”.
Décadas depois, o episódio segue como um marco de luto e memória na política maranhense, lembrado pela dimensão da perda e pelas circunstâncias trágicas que interromperam quatro trajetórias públicas.
Com informações de Manoel Santos Neto






