Esquema investigado no TJ-MA usava seguranças armados para garantir decisões judiciais, aponta PF

Operação Inauditus revela estrutura que combinava corrupção no Judiciário com uso de força privada em cumprimento de ordens.
Investigação da Polícia Federal aponta uso de seguranças armados para cumprir decisões judiciais
Investigação da Polícia Federal aponta uso de seguranças armados para cumprir decisões judiciais (Foto: Divulgação)

A investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de corrupção no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) aponta que o grupo não se limitava à negociação de decisões judiciais nos bastidores. De acordo com a apuração, os envolvidos também utilizavam seguranças privados armados para garantir o cumprimento das ordens obtidas de forma irregular.

Segundo os investigadores, a estrutura funcionava como uma cadeia paralela, unindo influência no Judiciário e coerção física para assegurar os interesses do grupo.

Um dos episódios analisados no inquérito ilustra o nível de organização do esquema. Trata-se do cumprimento de uma ordem de reintegração de posse em uma área rural, realizada com o acompanhamento de cerca de 30 homens armados, descritos nas investigações como “guachebas”. A ação foi registrada em imagens que circularam em grupos de mensagens e passaram a integrar o material coletado pela Polícia Federal.

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A linha investigativa tem como base uma delação que indica que a decisão judicial que autorizou a reintegração não teria seguido trâmites regulares, sendo resultado do pagamento de vantagens indevidas.

Ainda segundo os relatos reunidos pela PF, o acordo relacionado ao caso envolveria também a transferência de propriedades rurais, em um arranjo que beneficiaria diretamente integrantes do grupo investigado.

O episódio faz parte de um inquérito mais amplo que apura crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa dentro do Judiciário maranhense. As investigações resultaram na deflagração da Operação Inauditus, que cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão em diferentes cidades do Maranhão e em outros estados.

A Polícia Federal segue analisando provas e depoimentos para aprofundar o alcance do esquema e identificar todos os envolvidos.

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