Prejuízo bilionário dos Correios pressiona contas e aprofunda rombo das estatais

Com déficit crescente, governo prevê aportes até 2027 e projeta estatais no vermelho até o fim da década.
Prejuízo bilionário dos Correios pressiona contas e aprofunda rombo das estatais
Prejuízo dos Correios chega a R$ 8,5 bilhões e agrava rombo das estatais (Foto: Fernando Frazão/EBC/Agência Brasil)

O avanço do prejuízo dos Correios tem ampliado a pressão sobre as contas das estatais federais e acendido um alerta dentro do governo. Dados recentes apontam que a empresa registrou um resultado negativo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais que o triplo do prejuízo observado no ano anterior, quando o rombo foi de R$ 2,6 bilhões.

O impacto foi determinante para o desempenho das estatais no país. Segundo números divulgados pelo Banco Central, o conjunto dessas empresas fechou o último ano com déficit de R$ 5,13 bilhões, o segundo pior resultado da série histórica. A tendência negativa segue em 2026, com saldo já negativo de R$ 4,1 bilhões apenas no primeiro bimestre.

Grande parte do prejuízo dos Correios está ligada a despesas com precatórios, que somaram R$ 6,4 bilhões no período, além da queda na receita operacional. A empresa arrecadou R$ 17,3 bilhões, valor 11,35% inferior ao registrado no ano anterior, impactado principalmente pela redução de mais de 60% nas encomendas internacionais após mudanças nas regras de importação.

Diante do cenário, o governo federal já admite a necessidade de novos aportes financeiros para manter a estatal em funcionamento. A previsão consta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, que indica a possibilidade de transferências diretas do Tesouro Nacional para cobrir os déficits da empresa.

Mesmo com um plano de reestruturação em andamento, que inclui corte de custos, programas de demissão voluntária e venda de ativos, a tendência é de continuidade dos prejuízos. O governo projeta que as estatais federais permanecerão no vermelho até pelo menos 2030, com déficits estimados de R$ 6,75 bilhões em 2026 e R$ 7,55 bilhões em 2027.

Para tentar equilibrar as contas, os Correios também recorreram a um empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com um consórcio de bancos, com garantia da União. Além disso, há previsão de captação de mais R$ 8 bilhões, ampliando o nível de endividamento da estatal.

Especialistas e órgãos de controle já apontam que o peso dos Correios tem sido decisivo no resultado negativo das estatais. O Tribunal de Contas da União (TCU) indicou que 95% do déficit dessas empresas está concentrado em poucas companhias, com destaque para a estatal de logística.

O cenário reforça a preocupação com a sustentabilidade financeira das empresas públicas e o impacto direto sobre as contas da União, que pode ser obrigada a ampliar o volume de recursos destinados a cobrir prejuízos nos próximos anos.