As apostas on-line transformaram a vida da enfermeira Raquel Maria em um drama que, segundo ela, poderia ter sido evitado. Viúva do tenente da Polícia Militar de Goiás Danilo Lopes Negrão, ela usou as redes sociais para compartilhar sua história e alertar sobre os impactos do vício em plataformas de apostas esportivas.
O vídeo, publicado na quarta-feira (24), ganhou grande repercussão e levou dezenas de pessoas a procurarem Raquel em busca de ajuda. Em seu relato, ela faz um apelo para que outras famílias não enfrentem o mesmo sofrimento.
“Não joguem. Pode parecer algo inofensivo, mas isso pode se tornar um caminho sem volta”, afirmou.
Vício começou durante a Copa do Mundo
Segundo a enfermeira, Danilo começou a apostar durante a Copa do Mundo de 2022. No início, os ganhos estimularam a continuidade das apostas, mas, com o passar do tempo, as perdas se acumularam e o comportamento mudou completamente.
Raquel descreve o marido como um homem dedicado à profissão e à família, conhecido pelo caráter e pela responsabilidade. No entanto, a compulsão pelos jogos passou a dominar sua rotina.
Ela afirma que o policial chegou a acumular uma dívida próxima de R$ 1 milhão, recorrendo a empréstimos para continuar apostando. Familiares tentaram ajudá-lo financeiramente e oferecer apoio emocional, mas não conseguiram interromper o ciclo de dependência.
Dívidas agravaram quadro emocional
De acordo com Raquel, o peso das dívidas afetou profundamente a saúde mental do marido. Ele desenvolveu sintomas de ansiedade e depressão e chegou a procurar tratamento psiquiátrico e psicológico.
Apesar disso, segundo ela, Danilo nunca revelou aos profissionais que enfrentava um problema com apostas, o que impediu o diagnóstico de ludopatia — transtorno caracterizado pela dependência em jogos de azar.
“Ele foi perdendo a vontade de viver à medida que percebia o tamanho da dívida e tudo o que estava perdendo”, relatou.
Danilo Negrão morreu aos 41 anos, cerca de sete meses após o encerramento da Copa do Mundo de 2022.
Relato motivou pedidos de ajuda
Após tornar pública sua história, Raquel contou que recebeu inúmeras mensagens de pessoas vivendo situações semelhantes.
Segundo ela, muitos relataram perdas financeiras, separações, desemprego e até pensamentos de tirar a própria vida em consequência das apostas.
Diante da repercussão, a enfermeira informou que pretende divulgar orientações sobre formas de bloquear o acesso às plataformas de apostas, como incentivo para quem deseja abandonar o hábito.
“Se a minha história conseguir impedir que outra família passe pelo que nós passamos, ela já terá valido a pena”, afirmou.
Reconstrução após a tragédia
Quase quatro anos depois da morte do marido, Raquel diz que ainda convive com a saudade, mas afirma ter conseguido superar o sentimento de culpa.
Ela conta que a filha do casal, Valentina, hoje com 8 anos, é a principal motivação para seguir em frente. Segundo a enfermeira, a menina ainda não sabe as circunstâncias da morte do pai.
“Ela é a minha força. Nunca tive tempo para viver plenamente o luto porque precisava cuidar dela. Hoje sigo em frente por nós duas”, concluiu.
Onde buscar ajuda para o vício em apostas
O vício em jogos e apostas, conhecido como ludopatia ou transtorno do jogo, é uma condição de saúde mental que pode ser tratada. Pessoas que enfrentam dificuldades para controlar as apostas podem procurar atendimento gratuito na rede pública e em serviços especializados.
Confira onde buscar ajuda:
📞 Centro de Valorização da Vida (CVV)
- Atendimento emocional e prevenção do suicídio
- Telefone: 188 (24 horas, gratuito)
- Site: www.cvv.org.br
- Chat e e-mail disponíveis na plataforma
🏥 CAPS – Centro de Atenção Psicossocial
- Atendimento gratuito pelo SUS para pessoas com transtornos mentais e dependência comportamental.
- Procure a unidade CAPS mais próxima ou solicite encaminhamento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
📱 SUS – Saúde Mental
- As Unidades Básicas de Saúde (UBS) podem fazer a avaliação inicial e encaminhar o paciente para tratamento especializado.
👨👩👧 Apoio da família
- Especialistas recomendam que familiares conversem sem julgamentos, evitem facilitar novos empréstimos para apostas e incentivem a busca por acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
⚠️ Quando procurar ajuda imediatamente?
Se a pessoa apresentar sinais de desespero, falar em suicídio ou demonstrar risco de machucar a si mesma, procure imediatamente um serviço de urgência, como uma UPA ou hospital, ou entre em contato com o CVV pelo telefone 188.






