Um adolescente de 17 anos, investigado por participação na chacina que matou uma mulher grávida e o filho dela, de apenas 4 anos, em São João Batista, morreu durante uma intervenção policial na manhã desta quinta-feira (30), em São Luís. Com o novo caso, subiu para nove o número de suspeitos mortos desde o início da operação.
Identificado apenas pelas iniciais M.R.C.S., em respeito às normas de proteção de crianças e adolescentes, o jovem estaria escondido na residência de familiares, no bairro Vila Palmeira.
Segundo a polícia, o adolescente efetuou disparos contra os agentes ao perceber que seria abordado. Houve troca de tiros e ele acabou atingido. O suspeito ainda foi levado a uma unidade hospitalar, mas não resistiu aos ferimentos.
Durante a ação, foi apreendida com o suspeito uma pistola calibre 9 mm, além de carregadores e munições.
Desde o início das diligências, 15 pessoas foram presas. Mais de 20 suspeitos já foram identificados como possíveis participantes do ataque ocorrido na Baixada Maranhense.
Confira abaixo a nota na íntegra da SSP-MA
A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informa que, na manhã desta quinta-feira (30), durante o cumprimento de um mandado judicial de internação expedido em desfavor de um adolescente, no bairro Vila Palmeira, em São Luís, o alvo da ordem judicial reagiu à abordagem efetuando disparos de arma de fogo contra as equipes policiais.
Na intervenção, o adolescente foi atingido, socorrido imediatamente e encaminhado ao Hospital Municipal Djalma Marques (Socorrão I), mas não resistiu aos ferimentos.
O adolescente era investigado por ato infracional análogo ao duplo homicídio que vitimou uma mulher grávida e uma criança de quatro anos, em São João Batista.
Durante a ação, foi apreendida uma pistola calibre 9 mm, além de carregadores e munições.
A ocorrência foi apresentada à Superintendência Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (SHPP), responsável pela apuração dos fatos e dos procedimentos adotados na intervenção policial, conforme previsto na legislação vigente.
A SSP-MA reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a apuração rigorosa de todas as ocorrências envolvendo intervenção policial.
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Mulher grávida e filho morreram carbonizados
O crime aconteceu no dia 11 de julho, no povoado Olho d’Água dos Bodes, zona rural de São João Batista. Homens armados invadiram a residência onde estavam Samira Costa Correia, o filho dela, Yan Kaleb, de 4 anos, e Josef Abreu Santos, companheiro da jovem.

Depois de efetuarem vários disparos, os criminosos incendiaram o imóvel. Samira, que estava grávida, e Yan Kaleb foram encontrados carbonizados dentro da residência.
Josef, apontado pela investigação como o alvo inicial do grupo criminoso, conseguiu escapar ao perceber a aproximação dos invasores.
A Polícia Civil trabalha para esclarecer a motivação da chacina, identificar os responsáveis por ordenar o ataque e determinar a função exercida por cada um dos envolvidos no planejamento e na execução do crime.
Polícia afirma ter individualizado condutas
O coordenador de Operações da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA), delegado Ederson Martins, informou que o inquérito se encontra em fase avançada.
De acordo com o delegado, depoimentos, perícias, diligências de campo e informações produzidas pelos setores de inteligência permitiram reconstruir parte da dinâmica do ataque.
“Hoje temos um conjunto probatório consistente que permite atribuir a participação de cada investigado na ação criminosa”, declarou.
O delegado-geral da Polícia Civil, Augusto Barros, explicou que a apuração buscou não apenas identificar os suspeitos, mas também estabelecer os vínculos entre eles e individualizar as condutas atribuídas a cada participante.
A investigação continuará até a conclusão dos laudos periciais e o encaminhamento do inquérito ao Poder Judiciário.
Operação chegou à Baixada e à capital
As diligências foram realizadas em áreas urbanas e rurais da Baixada Maranhense, além de diferentes pontos de São Luís. A mobilização incluiu patrulhamento terrestre, levantamentos de inteligência, apoio aéreo e atuação de unidades especializadas.
Segundo o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Wallace Amorim, as mortes ocorreram durante intervenções policiais realizadas na Baixada e na capital. A corporação sustenta que os investigados reagiram às abordagens.
Participaram da operação equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Companhia de Operações e Sobrevivência em Área Rural (Cosar), Força Tática, Grupo de Operações Especiais (GOE), Batalhão de Cães e Centro Tático Aéreo (CTA).
Pela Polícia Civil, atuaram a Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), o Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO), as delegacias regionais de Viana e São João Batista e unidades de inteligência.
A secretária estadual de Segurança Pública, coronel Augusta Andrade, afirmou que a investigação continuará até o cumprimento das medidas judiciais relacionadas ao caso.
Perícia apura como as vítimas morreram
A Perícia Oficial realizou exames genéticos para confirmar as identidades de Samira e Yan Kaleb, permitindo posteriormente a liberação dos corpos aos familiares.
Outros procedimentos periciais ainda estão em fase de conclusão. Um dos principais pontos investigados é se mãe e filho morreram antes de os criminosos atearem fogo à residência.
Segundo a perita-geral Anne Kelly Veiga, os laudos deverão ser concluídos e anexados ao inquérito policial.
Quinze investigados foram presos
Conforme o balanço divulgado pela Segurança Pública, foram presos:
- Gabriel Vieira Trindade, o “Miau”;
- Gilmarlisson Santos Duarte, o “Pelado” ou “Gil”;
- Joseandro Santos Pereira, o “Andinho”;
- Luan dos Anjos Santos, o “Balotelli”;
- Rhuan Carlos Campos Silva, o “Ruan”;
- Paulo Ricardo Serra Lindoso, o “Gordo”;
- Erinaldo Santos Pereira, o “Garoto”;
- Thadeu Vinicius Aguiar dos Santos, o “Tadeu”;
- Victor Gabriel Costa Cardoso, o “Vitinho”;
- Anderson Mendes Cutrim, o “Nandinho”;
- Mateus Costa Pinheiro, o “Mateus”;
- Isaac Jorge Aroucha Mendonça;
- Fábio José Abreu Santos;
- Roberval Oliveira Almeida, o “Gago”;
- João Victor Santos Pinheiro, o “Vitor Preto” ou “VT Louco”.
Nove investigados morreram durante intervenções
Além do adolescente M.R.C.S., morreram durante as diligências policiais:
- Joelson Braga Araújo, o “Macaco”;
- David João Gaspar Penha, o “Mucurão”;
- João Henrique Lindoso Silva, o “João Preto”;
- Daniel Braga Araújo, o “Jogador 22” ou “Bonitão”;
- Roberdan Fonseca Gomes;
- Cleiton dos Santos Pereira;
- Gledeilson Lindoso Costa, o “Putchu”;
- Tauan Alves Barros.
A Polícia Civil ainda deverá concluir os exames periciais, formalizar a participação atribuída a cada investigado e apurar se outras pessoas estiveram envolvidas no planejamento, na ordem ou na execução da chacina.






