Franco Baresi, um dos maiores defensores da história do futebol, morreu nesta sexta-feira (31), aos 66 anos. A notícia foi anunciada pelo Milan, clube que ele representou durante toda a carreira profissional e do qual se tornou vice-presidente honorário.
O ex-jogador estava em tratamento oncológico depois de passar por uma cirurgia para a retirada de um nódulo pulmonar, em agosto de 2025. A causa da morte não foi detalhada no comunicado.
Ao prestar homenagem ao antigo capitão, o Milan afirmou que a trajetória, o exemplo e a integridade de Baresi continuarão associados à identidade do clube. A equipe também manifestou solidariedade aos familiares e afirmou que a perda é compartilhada por toda a torcida.
A Federação Italiana de Futebol (FIGC) anunciou que Baresi será homenageado nas próximas partidas da seleção nacional. A entidade o classificou como uma das grandes lendas do país.
Uma vida inteira com as cores do Milan
Nascido em Travagliato, na Itália, Baresi ingressou nas categorias de base do Milan em 1974, quando tinha 14 anos. Quatro anos depois, foi promovido pelo técnico sueco Nils Liedholm.
A estreia no Campeonato Italiano ocorreu em 23 de abril de 1978, na vitória por 2 a 1 sobre o Verona. A capacidade de liderança apareceu cedo: aos 22 anos, ele assumiu a faixa de capitão.
Baresi permaneceu no Milan mesmo durante os períodos mais difíceis da história do clube, incluindo duas passagens pela segunda divisão. Quando a equipe voltou ao topo, tornou-se o comandante de uma defesa que marcou época no futebol europeu.
Ao lado de Paolo Maldini, Alessandro Costacurta e Mauro Tassotti, o líbero foi uma das peças centrais dos times dirigidos por Arrigo Sacchi e Fabio Capello. Sua leitura de jogo, precisão nos desarmes e qualidade para iniciar jogadas ajudaram a redefinir o papel do defensor.
Durante duas décadas no elenco principal, disputou mais de 700 partidas e exerceu a função de capitão por 15 temporadas.
Coleção de títulos e camisa aposentada
Com Baresi em campo, o Milan conquistou seis edições do Campeonato Italiano e três vezes a principal competição de clubes da Europa — duas ainda como Copa dos Campeões e uma já denominada Liga dos Campeões.
O defensor também levantou duas Copas Intercontinentais, Supercopas da Europa e quatro Supercopas da Itália. Ele encerrou a carreira em 1997, aos 37 anos.
Como reconhecimento à sua importância, o Milan aposentou a camisa 6. Foi a primeira vez que o clube retirou definitivamente um número de seu elenco em homenagem a um jogador.
Campeão mundial e protagonista em 1994
Pela seleção italiana, Franco Baresi disputou 81 partidas e marcou um gol. Ele integrou o elenco campeão da Copa do Mundo de 1982, na Espanha, embora não tenha sido utilizado durante o torneio.
Também participou dos Mundiais de 1990 e 1994. Na edição disputada nos Estados Unidos, sofreu uma lesão no joelho durante a fase de grupos e precisou passar por cirurgia.
Contrariando as previsões, recuperou-se a tempo de retornar justamente na final contra o Brasil. Baresi permaneceu em campo durante os 120 minutos do empate sem gols, mas desperdiçou a primeira cobrança italiana na disputa por pênaltis. A seleção brasileira venceu por 3 a 2 e conquistou o tetracampeonato.
Em fevereiro deste ano, uma de suas últimas aparições públicas ocorreu na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, quando participou da condução da chama olímpica.
Baresi deixa uma carreira identificada com apenas duas camisas: a vermelha e preta do Milan e a azul da seleção italiana. Além da extensa coleção de troféus, tornou-se referência de liderança, inteligência defensiva e fidelidade em uma época de profundas transformações no futebol europeu.






