O Partido Socialista Brasileiro (PSB) expulsou de seus quadros o prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, conhecido como Fernando Bermuda. A medida foi formalizada pela Comissão Executiva Estadual por meio da Resolução nº 008/2026, aprovada em reunião extraordinária no sábado (8).
A decisão foi tomada após a repercussão de mensagens atribuídas ao prefeito nas quais ele teria solicitado apoio a pré-candidatos de outras legendas. Entre os nomes associados às manifestações está o de Flávio Bolsonaro, do PL. O conteúdo divulgado também levantou suspeitas de possíveis ameaças a servidores municipais por questões eleitorais, acusação negada pelo gestor.
Segundo o PSB, a conduta configura “grave infidelidade partidária” e contraria as orientações estabelecidas pelas direções estadual e nacional da legenda para as eleições de 2026.
Partido aponta atuação em favor de outras legendas
Na resolução, o PSB afirma que as mensagens divulgadas em 7 de agosto não representariam apenas uma manifestação pessoal de preferência eleitoral. Para o partido, o conteúdo demonstraria uma articulação organizada em benefício de candidaturas concorrentes.
O documento menciona a solicitação de apoio a pré-candidatos à Presidência e à Vice-Presidência da República vinculados a outra sigla. A resolução, entretanto, não cita nominalmente Flávio Bolsonaro nem detalha as supostas ameaças contra servidores.
A direção estadual também considerou como agravante o fato de Bermuda exercer um mandato conquistado pelo PSB. Conforme a legenda, a condição de prefeito aumentaria sua responsabilidade de cumprir as decisões internas e preservar o projeto eleitoral partidário.
O partido sustenta que a atuação atribuída ao gestor contrariou sua estratégia nacional, incluindo o apoio à candidatura de Geraldo Alckmin à Vice-Presidência da República.
Resolução menciona possível abuso de poder
O PSB afirma que os fatos podem apresentar, “em tese”, características de ilícitos eleitorais, como eventual abuso de poder político. A suspeita estaria relacionada ao possível uso da influência e das prerrogativas do cargo para promover candidaturas e cobrar apoio eleitoral.
A própria legenda ressalta que a apuração de eventuais infrações e a definição de responsabilidades competem à Justiça Eleitoral. A resolução partidária, portanto, não representa uma condenação na esfera judicial.
Entre as circunstâncias apontadas para justificar a expulsão estão a repercussão pública do episódio, o descumprimento das orientações partidárias, a atuação em favor de outras legendas e o possível prejuízo à estratégia eleitoral do PSB.
Prefeito admite tom inadequado, mas nega coação
Após a divulgação do caso, Fernando Bermuda reconheceu ter empregado palavras e um tom inadequados durante uma conversa informal. O prefeito, porém, negou ter ameaçado, coagido ou perseguido servidores por causa de posicionamentos políticos.
“Reconheço que me expressei de maneira exagerada e poderia ter escolhido melhor as palavras. No entanto, é importante deixar claro que nenhum servidor foi demitido, afastado, perseguido ou sofreu qualquer tipo de punição em razão de posicionamento político ou voto”, declarou.
Bermuda afirmou ainda que respeita o caráter livre e secreto do voto e reiterou que nenhuma medida administrativa foi adotada contra funcionários por razões eleitorais.
Expulsão não provoca perda automática do mandato
Com a decisão, a filiação de Fernando Bermuda ao PSB deverá ser cancelada. A legenda também determinou que a expulsão seja comunicada à Direção Nacional, à Comissão Executiva Nacional e aos demais órgãos partidários.
A medida, contudo, não provoca a perda automática do cargo de prefeito. A Súmula nº 67 do Tribunal Superior Eleitoral estabelece que a perda do mandato por desfiliação partidária não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário, caso dos prefeitos.
Fernando Bermuda, portanto, permanece no comando da Prefeitura de Campestre do Maranhão, apesar do rompimento com o partido pelo qual foi eleito.






