A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (2), a Operação Selo Corrompido para investigar um possível esquema de desvio e uso fraudulento de cartões bancários em Bacabal, no Maranhão.
Cinco mandados de busca e apreensão são cumpridos no município. A ação procura reunir documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos que permitam identificar todos os envolvidos e dimensionar os valores movimentados.
Segundo a investigação, correspondências com cartões bancários teriam sido interceptadas antes de chegar aos destinatários. Os cartões seriam posteriormente utilizados para realizar operações sem autorização em contas de terceiros e movimentar recursos de benefícios previdenciários.
Denúncia partiu dos Correios
A investigação começou após uma comunicação enviada à Polícia Federal pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Durante apuração interna, a estatal encontrou indícios de que correspondências contendo cartões bancários estavam sendo desviadas dentro de uma agência. Há suspeita da participação de um empregado da empresa pública, mas a eventual responsabilidade ainda depende do avanço das investigações.
A Polícia Federal não divulgou o nome do funcionário nem informou se houve afastamento das atividades.
Como o esquema teria funcionado
De acordo com os elementos reunidos até o momento, o grupo identificaria correspondências com cartões bancários e impediria que elas fossem entregues aos destinatários.
Entre os documentos interceptados estariam cartões vinculados a contas com saldos considerados elevados. Alguns seriam destinados a pessoas que já haviam morrido, circunstância que poderá ter sido utilizada para dificultar a identificação imediata das movimentações.
A PF também encontrou indícios de tentativas de retirada de correspondências mediante apresentação de documentos falsos.
A dinâmica investigada teria as seguintes etapas:
- Identificação de envelopes com cartões bancários;
- Retirada ou desvio das correspondências;
- Uso de documentos falsificados para obter os cartões;
- Acesso indevido às contas das vítimas;
- Realização de saques, transferências ou outras movimentações;
- Apropriação dos valores encontrados nas contas e nos benefícios.
Essas etapas ainda são hipóteses investigativas e deverão ser confirmadas por meio da análise do material apreendido.
PF apura divisão de tarefas
A investigação aponta para uma atuação coordenada entre várias pessoas. A suspeita é de que os participantes exerciam funções diferentes, desde a identificação e retirada dos envelopes até a utilização dos cartões.
Os mandados de busca têm como objetivo encontrar provas sobre a comunicação entre os investigados, a produção ou utilização de documentos falsos e as transações bancárias realizadas.
A Polícia Federal ainda não informou quantas vítimas foram identificadas, o valor total do prejuízo ou há quanto tempo o suposto esquema funcionava.
Até a divulgação inicial da Operação Selo Corrompido, a PF havia confirmado apenas o cumprimento dos cinco mandados de busca e apreensão em Bacabal. Não houve informação sobre prisões.
A apuração deverá verificar ainda como os suspeitos conseguiam acessar as contas, desbloquear os cartões e obter dados pessoais ou senhas das vítimas.
Com informações da PF






