São Luís chega aos 414 anos com mais de 103 mil pequenos negócios ativos

Serviços e comércio concentram quase 88% das atividades na capital maranhense
São Luís chega aos 414 anos com mais de 103 mil pequenos negócios ativos
São Luís completa 414 anos com 103.711 pequenos negócios ativos (Foto: Divulgação)

São Luís completa 414 anos nesta terça-feira (8) com 103.711 pequenos negócios formais em atividade. O número representa 32,51% de todas as empresas desse porte registradas no Maranhão e evidencia o peso do empreendedorismo na economia da capital.

O levantamento do Sebrae, atualizado em 4 de setembro de 2026, aponta aproximadamente 46,5 mil microempreendedores individuais (MEIs), 49 mil microempresas e pouco mais de 8 mil empresas de pequeno porte. São empreendimentos espalhados por diferentes bairros e presentes em atividades que vão da alimentação e do transporte à tecnologia e aos serviços especializados.

Entre os setores econômicos, os serviços lideram com 58.077 negócios ativos. O comércio aparece na segunda posição, com 32.685, seguido pela indústria, com 6.766; construção civil, com 5.976; e agropecuária, com 207.

Somados, serviços e comércio concentram 90.762 empresas, o equivalente a cerca de 87,5% dos pequenos negócios instalados no município.

Saúde e construção lideram entre os segmentos

A diversidade da economia ludovicense também aparece nos segmentos com maior número de empreendimentos. Saúde e bem-estar ocupam a primeira posição, com 14.874 empresas, enquanto o segmento de casa e construção reúne 10.940.

Na sequência estão logística e transporte, com 8.815 negócios; serviços de alimentação, com 7.817; e moda e confecção, com 7.784. Juntas, essas cinco áreas somam 50.230 empresas — quase metade de toda a base de pequenos negócios da capital.

Educação, tecnologia, turismo, eventos, cultura, entretenimento, marketing, serviços especializados de saúde e agroindústria também integram a atividade econômica da cidade.

Mais da metade das empresas está fora dos principais polos

A distribuição geográfica mostra que o empreendedorismo não está restrito às áreas comerciais mais tradicionais. Os 20 bairros com maior concentração empresarial reúnem 46.682 pequenos negócios, aproximadamente 45% do total.

Renascença, Turu, Centro, Calhau e Cidade Operária aparecem entre as localidades com maior presença de empresas. Os outros 55% estão espalhados pelos demais bairros, indicando que a atividade econômica alcança diferentes territórios da capital.

Essa capilaridade pode ser percebida em lojas, salões de beleza, oficinas, restaurantes, transportadoras, consultórios e negócios mantidos dentro das próprias comunidades. Muitos desses empreendimentos atendem demandas locais e movimentam renda sem depender dos grandes centros comerciais.

Gestão, qualificação e crédito ainda são obstáculos

Apesar do volume de empresas ativas, manter um negócio funcionando continua sendo um desafio. Qualificação profissional, gestão, formação de equipes, carga tributária, redução do poder de compra dos consumidores e dificuldade de acesso ao crédito estão entre os problemas relatados por empreendedores.

Para Dallin Reis, da Reis Consultoria, uma boa ideia e capacidade de venda não garantem o crescimento de uma empresa. Ela considera necessários investimentos em gestão, processos, profissionalização e qualificação da mão de obra.

Para Dallin Reis, empreender é um desafio que ajuda a construir um futuro possível para todos (Foto: Divulgação)

Ekles Aguiar, do Açaí Sunset, chama atenção para os efeitos da disputa baseada apenas em preços. Na avaliação do empresário, margens excessivamente reduzidas podem afetar a qualidade dos produtos e dos serviços. A inovação, segundo ele, torna-se uma ferramenta para diferenciar o negócio em um mercado cada vez mais competitivo.

Ekles Aguiar, do Açaí Sunset (Foto: Divulgação)

O jornalista Adalberto Melo, que começa sua trajetória como empreendedor, ressalta a importância de informação e orientação durante os primeiros passos. Já Paulo Gustavo, da Nutbox Castanhas, aponta que a falta de planejamento e de canais para chegar ao mercado pode comprometer a sobrevivência das pequenas empresas.

Acesso ao crédito exige planejamento

O crédito permanece entre as principais dificuldades enfrentadas por quem pretende abrir ou ampliar uma empresa. Para o presidente da Agência Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social (AMDES), Felipe Mussalém, a disponibilização de recursos precisa ser acompanhada de orientação.

Segundo ele, preparar o empreendedor para usar o dinheiro de maneira estratégica reduz riscos e amplia as possibilidades de investimento sustentável. As Salas do Empreendedor estão entre os espaços destinados ao atendimento e à orientação de pequenos empresários na capital.

O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae no Maranhão, Celso Gonçalo, afirma que celebrar o aniversário de São Luís também significa reconhecer as pessoas que mantêm seus negócios em funcionamento e participam diariamente da construção econômica da cidade.

Economia combina patrimônio, porto e novos negócios

Fundada em 1612, São Luís preserva um conjunto arquitetônico reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Mundial desde 1997. Ao mesmo tempo, possui uma economia sustentada por comércio, serviços, indústria, turismo, atividades portuárias e economia criativa.

A localização estratégica e o Complexo Portuário do Itaqui ampliam a relevância econômica da cidade, enquanto os pequenos negócios fazem os recursos circularem diretamente nos bairros. Quando uma empresa abre ou expande suas atividades, surgem oportunidades de trabalho, fornecedores e novos serviços.

Aos 414 anos, parte do desenvolvimento de São Luís passa por milhares de empreendedores que mantêm lojas abertas, prestam serviços, produzem, vendem e criam alternativas de renda em praticamente todos os pontos da cidade.

Com informações da Ascom Sebrae