Empresário alvo da Operação Maat firma acordo com o MPMA para ressarcir R$ 419 mil

Acordo de Não Persecução Cível prevê a entrega de uma Hilux SW4 e a compra de equipamentos para escolas e creches .
Empresário alvo da Operação Maat firma acordo com o MP-MA para ressarcir R$ 419 mil
Acordo de Não Persecução Cível prevê a entrega definitiva de uma Hilux SW4 e a compra de equipamentos para escolas e creches (Foto: Divulgação)

Um dos presos na Operação Maat – Fase Prato Cheio, deflagrada na terça-feira (16), o empresário Antônio da Conceição Muniz Neto assinou, na quarta (17), um Acordo de Não Persecução Cível (ANPC) com o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) para ressarcir R$ 419.369,09 aos cofres públicos.

Como será o ressarcimento

Pelo acordo, o valor será quitado de duas formas:

  • Entrega definitiva de uma Toyota Hilux SW4, avaliada em R$ 365.621,09, que deverá ser destinada a políticas públicas municipais voltadas a crianças e mulheres, especialmente vítimas de violência;
  • R$ 53.775,09 restantes em bens e materiais (aparelhos de ar-condicionado, computadores, impressoras e itens pedagógicos) a serem encaminhados a creches e escolas de Godofredo Viana, admitida outra destinação social equivalente.

O termo também admite alteração do formato do ressarcimento, podendo ser transformado na obrigação de construir, adaptar ou reformar um imóvel apto ao acolhimento de crianças e mulheres em situação de violência e vulnerabilidade. A definição caberá após audiência com a gestão municipal, a ser realizada em até 180 dias.

Em despacho, o promotor de justiça Márcio Antônio Alves e Oliveira apontou que a medida “se mostra mais efetiva na recomposição do erário, ao passo que atenderá aos preceitos da duração razoável do processo”.

Consequências em caso de descumprimento

Se o acordo não for cumprido, o empresário ficará impedido de celebrar novo pacto por cinco anos e poderá sofrer execução do próprio ANPC.


Contexto: o que foi a Fase “Prato Cheio”

Deflagrada em 16 (terça-feira), a operação do MP-MA, com apoio da Polícia Civil, mirou um suposto esquema de corrupção e desvio de recursos da merenda escolar de 2014 em Godofredo Viana.

  • Foram presos o ex-prefeito Marcelo Jorge, o empresário Antônio Muniz e a ex-secretária de Administração e Finanças, Gihan Torres (irmã do ex-prefeito). Eles foram soltos posteriormente.
  • Houve apreensão de cinco veículos, joias e dinheiro em espécie nas residências dos investigados, em São Luís.
  • A Justiça determinou indisponibilidade e bloqueio de bens dos requeridos, limitados a R$ 1.258.188,29.

O que diz a denúncia (14/11/2024)

Segundo o MP-MA, apesar dos repasses do FNDE, a merenda foi fornecida de forma precária e apenas em dois dos dez meses letivos de 2014, conforme relatos de nutricionista e diretores. O inquérito iniciado em 2016 aponta que:

  • Godofredo Viana recebeu R$ 173.712,00 do FNDE em 2014;
  • A empresa A da C Muniz Neto não teria entregado alimentos em fevereiro, março, maio, junho, julho, setembro, outubro, novembro e dezembro;
  • Em dezembro, após o fim do ano letivo, teriam sido emitidas notas fiscais de R$ 62.984,00 por itens não entregues;
  • A empresa recebeu R$ 181.369,62 (valor atualizado), segundo o MP;
  • Há indícios de lavagem de dinheiro e fraude em licitação; o prejuízo estimado é de R$ 258.188,29 e o bloqueio patrimonial foi fixado em R$ 1.258.188,29.

Próximos passos
O MP-MA aguarda a audiência com a prefeitura para definir a execução social do acordo (veículo, equipamentos ou obra). Processos cíveis e eventuais ações penais seguem o curso regular. Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório, e não há condenação transitada em julgado até o momento.

Com informações do MPMA