As cadelas Pandora e Flecha encerraram oficialmente suas atividades nas equipes de busca e resgate do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA). As duas foram homenageadas em uma cerimônia que reuniu os militares responsáveis pelo treinamento e pela condução dos animais ao longo dos anos.
Como parte da despedida, Pandora e Flecha receberam a “coleira da reserva”, símbolo concedido aos cães que concluem o período de trabalho na corporação. Agora, elas deixam a rotina de treinamentos, deslocamentos e ocorrências para iniciar uma nova fase junto aos seus condutores.
Pandora, uma cadela mestiça, trabalhou durante seis anos nas operações do CBMMA. Flecha, da raça border collie, acumulou oito anos de atuação. Juntas, participaram de mais de 30 missões realizadas no Maranhão e em outros estados.
Entre as ocorrências de maior repercussão estão as buscas por vítimas das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. A tragédia mobilizou equipes de segurança e salvamento de diferentes regiões do país.
Atuação em ocorrências de alta complexidade
Os cães de resgate são treinados para localizar pessoas em cenários nos quais o trabalho das equipes humanas encontra maiores dificuldades. O olfato dos animais auxilia principalmente em buscas realizadas em estruturas desabadas, áreas de mata e locais atingidos por desastres.
Segundo o comandante-geral do CBMMA, coronel Célio Roberto, a participação dos cães amplia a capacidade de resposta da corporação em ocorrências complexas.
“Eles têm um papel superimportante. Nós fazemos buscas em estruturas colapsadas e buscas de pessoas desaparecidas em áreas de vegetação”, explicou.
Durante uma operação, o cão e o condutor atuam como uma equipe. A formação dessa dupla exige treinamento constante e uma relação de confiança construída ao longo de anos.
Vínculo construído durante as missões
Pandora foi conduzida pelo sargento Serra, que destacou a relação desenvolvida com a cadela durante o período em que trabalharam juntos. Para o militar, o encerramento da carreira reúne sentimentos de gratidão e saudade.
“Não deixa de ser um companheiro da gente. Saber que vamos para outras missões e não poder levar minha companheira é bem difícil”, afirmou.
Flecha trabalhou ao lado da capitã Sarah Alves, comandante da Companhia de Busca e Resgate com Cães. Segundo a oficial, a border collie também contribuiu para ampliar e consolidar as atividades do grupamento no Maranhão.
“É momento de agradecer pelo serviço que ela fez, pela relação que ela tem comigo, pelo carinho que a gente construiu e pelas portas que ela abriu para as atividades no estado”, declarou.
Nova geração passa por treinamento
Com a aposentadoria de Pandora e Flecha, outros três cães estão sendo preparados para assumir novas funções nas equipes de resgate. Buma, da raça border collie, e os irmãos Pingo e Pluto, da raça braco alemão, encontram-se em fase de treinamento.
Os animais são preparados pelos mesmos bombeiros que acompanharam as duas veteranas. A formação envolve exercícios de obediência, condicionamento físico e localização de pessoas em diferentes ambientes.
Após a conclusão do processo, os novos integrantes poderão participar de buscas relacionadas a desaparecimentos, desastres naturais, soterramentos e ocorrências em áreas de vegetação.
O grupamento também conta com dois cães já capacitados para o trabalho operacional: Zoe, da raça rastreador brasileiro, e Chico, um border collie.
Fora das missões, Pandora e Flecha continuarão sob os cuidados das pessoas com quem construíram vínculos durante a carreira. A aposentadoria marca o encerramento de uma trajetória dedicada às operações de salvamento e ao fortalecimento do trabalho com cães no Corpo de Bombeiros do Maranhão.






