Deputados protocolam pedido de CPI para investigar denúncias contra vice-governador

Requerimento com 24 assinaturas tem base em relatório do Gaeco e Coaf; MP também apura vazamento de informações sigilosas.
Deputados protocolam pedido de CPI para investigar denúncias contra vice-governador
Deputados do Maranhão pedem CPI para investigar movimentações financeiras atribuídas a Felipe Camarão (Foto: Divulgação)

Um grupo de 24 deputados estaduais protocolou, nesta terça-feira (24), um requerimento na Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema) solicitando a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias envolvendo o vice-governador Felipe Camarão.

O número de assinaturas supera a maioria simples da Casa, o que fortalece a tramitação do pedido. O documento deve ser lido na sessão desta quarta-feira (25), etapa que marca o início formal do processo no Legislativo estadual.

A solicitação tem como base informações reunidas em relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O material aponta movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo transferências via Pix destinadas a 1.085 beneficiários.

Segundo os parlamentares, os dados indicam uma elevada circulação de recursos distribuídos entre diversas contas, o que levanta questionamentos sobre a origem e o destino dos valores. As operações apresentam um padrão fragmentado, com repasses sucessivos e valores variados, formato que pode dificultar o rastreamento do fluxo financeiro.

O relatório também menciona transações entre pessoas próximas e indícios de repasses articulados. Há ainda registros que apontam a presença de agentes públicos, incluindo policiais, ligados a movimentações financeiras ou a beneficiários das transferências, ampliando o alcance das investigações.

Outro ponto destacado é a intensa circulação de recursos entre os próprios beneficiários, com transferências sucessivas entre diferentes contas. Para os deputados, o padrão repetitivo das operações pode indicar uma organização estruturada na movimentação dos valores.

Tramitação na Assembleia

Com o requerimento protocolado, caberá à presidente da Alema, deputada Iracema Vale, analisar o cumprimento dos critérios regimentais para a instalação da CPI. A leitura em plenário abre caminho para as próximas etapas, como a eventual criação da comissão e a indicação de seus membros.

MP cobra apuração de vazamento

Paralelamente, o Ministério Público do Maranhão (MPMA) aguarda esclarecimentos do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) sobre o vazamento de informações protegidas por sigilo judicial, ocorrido no último dia 20 de março.

O órgão encaminhou ofício à presidência do TJMA solicitando a apuração do caso e a identificação da origem da divulgação indevida. Segundo o MP, o procedimento tramita sob sigilo e sua exposição pública exige análise técnica, incluindo a verificação de acessos aos autos e movimentações no sistema processual.

De acordo com o promotor de justiça Reginaldo Júnior Carvalho, a divulgação não autorizada pode comprometer investigações e resultar na responsabilização dos envolvidos. Ele afirmou que o procurador-geral de justiça já determinou a adoção de medidas legais, inclusive em relação a possíveis acusações falsas.

“O Ministério Público do Maranhão tem o maior interesse que todos os fatos sejam esclarecidos, pois a instituição tem compromisso com a legalidade e com o devido processo legal”, destacou.

Defesa e reação política

Em manifestação nas redes sociais, o vice-governador Felipe Camarão afirmou ter recebido as informações com indignação e classificou o episódio como um “vazamento criminoso”.

Segundo ele, não houve acesso prévio à investigação e o caso teria como objetivo promover exposição seletiva e constrangimento público. Camarão também levantou suspeitas sobre motivações políticas por trás da divulgação, mencionando a relação entre o procurador-geral de justiça e o irmão do governador Carlos Brandão, de quem se afastou politicamente no fim de 2025.

O vice-governador declarou que pretende adotar medidas judiciais para apurar o que chamou de possível uso indevido de instituições.

“Minha trajetória pública de 25 anos não será manchada por esse tipo de prática. Não aceitarei perseguição política travestida de atuação institucional”, afirmou.