O senador Flávio Bolsonaro admitiu nesta quarta-feira (13) que buscou apoio financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para ajudar a custear a produção do filme Dark Horse, longa inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A confirmação ocorreu após a divulgação de mensagens e áudios atribuídos ao parlamentar, nos quais ele demonstra preocupação com atrasos financeiros da produção e pede ajuda para quitar compromissos relacionados ao projeto cinematográfico.
Em um dos áudios, enviado em setembro de 2025, Flávio afirma que a equipe do filme enfrentava dificuldades financeiras em meio à reta final da produção.
“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso”, diz o senador na gravação.
O longa Dark Horse retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 e tem roteiro assinado pelo deputado federal Mario Frias, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro. A direção é do cineasta americano Cyrus Nowrasteh, enquanto o ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em A Paixão de Cristo, dará vida ao ex-presidente nas telas.
Outro contato citado nas investigações teria ocorrido em novembro de 2025, um dia antes de Daniel Vorcaro ser preso na Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.
Em uma das mensagens, Flávio Bolsonaro menciona preocupação com possíveis atrasos de pagamentos a integrantes da produção internacional.
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus”, afirmou o senador em um dos áudios divulgados.
Segundo as investigações, as conversas foram extraídas do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal durante a operação.
Inicialmente, Flávio negou as informações ao ser questionado sobre o assunto. Horas depois, no entanto, divulgou nota admitindo o acordo financeiro para viabilizar o filme.
“O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, declarou.
O senador afirmou ainda que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando, segundo ele, não existiam acusações públicas contra o banqueiro.
A produção do longa também teria recebido intermediação do publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi. Segundo ele, Vorcaro teria concordado em investir cerca de R$ 62 milhões no projeto cinematográfico, embora parte dos repasses tenha sido suspensa após a crise envolvendo o Banco Master.
De acordo com Thiago Miranda, a participação do banqueiro no financiamento do filme não seria divulgada publicamente.






