Itaqui recebe equipamentos para linha de energia de R$ 18,1 bilhões

Projeto ligará Maranhão e Goiás para ampliar o transporte da geração renovável do Nordeste
Itaqui recebe equipamentos para linha de energia de R$ 18,1 bilhões
Porto do Itaqui recebe transformadores de mais de 300 toneladas para linha de R$ 18,1 bilhões (Foto: Divulgação)

O Porto do Itaqui, em São Luís, está recebendo transformadores fabricados na China para uma linha de transmissão de energia avaliada em R$ 18,1 bilhões. Com peso superior a 300 toneladas por unidade, os equipamentos serão transportados até Graça Aranha, onde ficará uma das estações do sistema que ligará o Maranhão a Goiás.

O empreendimento da State Grid terá 1.468 quilômetros de extensão, passando pelo Tocantins até chegar a Silvânia, em território goiano. A capacidade prevista é de até 5 gigawatts (GW), ampliando as rotas disponíveis para levar a energia renovável produzida no Nordeste aos centros consumidores do Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Para que servem os transformadores

Os equipamentos operam em ultra-alta tensão, de 800 quilovolts (kV), e integrarão as estações conversoras das duas extremidades da linha.

Essas estações permitem converter a eletricidade para o transporte em corrente contínua e adequá-la novamente à rede no destino. A tecnologia é utilizada para transmitir grandes volumes de energia por longas distâncias, com menores perdas.

A nova ligação busca enfrentar um dos obstáculos à expansão das fontes eólica e solar: a limitação da rede para transportar a produção. Em períodos de geração elevada, a capacidade de transmissão pode restringir o aproveitamento da energia disponível.

Viagem por rodovia terá velocidade de até 8 km/h

O desembarque no Itaqui é apenas a primeira etapa de uma operação que exige veículos especiais e deslocamento lento pelas rodovias.

Antes de chegar a Graça Aranha, as cargas seguem para uma área de transbordo em Pedreiras, a cerca de 276 quilômetros de São Luís. Nesse ponto, são realizados procedimentos de montagem e fixação dos equipamentos em carretas especiais.

O transporte avança a uma velocidade entre 7 e 8 quilômetros por hora, com planejamento voltado à segurança da carga e das vias. A distância aproximada entre o Porto do Itaqui e o destino final é de 377 quilômetros.

A logística portuária é coordenada pela operadora NML, com acompanhamento da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap). O intervalo entre as embarcações foi ajustado para permitir o escoamento rodoviário dos equipamentos antes das operações seguintes.

Cronograma prevê 12 navios

A movimentação começou em 18 de agosto e prevê a chegada de 12 navios. Cada embarcação transporta aproximadamente quatro transformadores, além de componentes necessários à montagem.

No balanço da Emap citado para a operação, dois navios haviam concluído o desembarque, o mais recente em 20 de setembro.

Para a presidente da empresa, Oquerlina Costa, o recebimento das cargas demonstra a capacidade do Itaqui de atender empreendimentos industriais de grande porte e amplia sua participação na logística de projetos de energia.

Linha atravessará 42 municípios

A concessão está sob responsabilidade da Graça Aranha Transmissora de Energia, vinculada à State Grid Brazil Holding. O traçado passará por 42 municípios do Maranhão, Tocantins e Goiás.

Integrante do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o projeto é apontado pelo Ministério de Minas e Energia como o maior empreendimento de transmissão já licitado no país.

A licença de instalação da linha principal foi concedida pelo Ibama em junho de 2026. Os trabalhos nas subestações haviam começado anteriormente.

Previsões distinguem operação e conclusão integral

Em julho, o Ministério de Minas e Energia anunciou a antecipação da previsão de início da operação para março de 2028. Já a conclusão integral permanece prevista para março de 2030, conforme o cronograma informado pela administração do Itaqui.

Além de receber os equipamentos importados, o Maranhão abrigará uma das estações conversoras. A ligação com Goiás acrescentará uma rota de transporte ao sistema elétrico nacional, com foco no escoamento da produção renovável nordestina.