A atriz Laura Cardoso morreu aos 98 anos, na noite dessa segunda-feira (17), em São Paulo. A informação foi confirmada pela família por meio das redes sociais da artista na madrugada desta terça-feira (18).
“Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações”, diz parte da mensagem publicada no perfil oficial da atriz.
Segundo Fernando Faria, bisneto de Laura, ela faleceu em casa, de causas naturais. O velório foi marcado para esta terça-feira, das 8h às 14h, no Funeral Home, no bairro Bela Vista, na capital paulista. A cerimônia será restrita a familiares.
A morte provocou homenagens de diferentes gerações de artistas. Miguel Falabella, Fabiana Karla, Marcelo Adnet, Erick Marmo, Tony Ramos, Zezé Motta e outros nomes do meio cultural lembraram a disciplina, a generosidade e a importância de Laura para a dramaturgia nacional.
Do rádio às primeiras décadas da televisão
Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, em setembro de 1927, no bairro do Bixiga, em São Paulo, a atriz era filha de imigrantes portugueses. Ainda adolescente, contrariou a resistência inicial da família e começou a trabalhar em radionovelas durante a década de 1940.
Foi nesse período que passou a adotar o nome artístico Laura Cardoso. A experiência diante dos microfones desenvolveu uma técnica vocal que seria uma das marcas de seu trabalho ao longo da carreira.
Em 1952, participou dos primeiros anos da televisão brasileira ao ingressar na TV Tupi. A partir daí, atravessou diferentes fases do veículo, passando por teleteatros, séries e novelas de várias emissoras.
Personagens que atravessaram gerações
Laura estreou na TV Globo em 1981, como Alda, na novela Brilhante. Depois, construiu uma extensa galeria de personagens, entre eles Isaura, de Mulheres de Areia; Guiomar, de A Viagem; Doroteia, de Gabriela; Soraia, de Explode Coração; e Carmem, de Chocolate com Pimenta.
Seu último papel em uma novela foi Matilde, em A Dona do Pedaço, exibida em 2019. Mesmo afastada das produções diárias, Laura manteve o vínculo com a arte e participou, em 2025, do curta-metragem Dona Rosinha.
Além da televisão, atuou no teatro, no cinema e na dublagem. Sua filmografia inclui trabalhos como Terra Estrangeira e Através da Janela, produção que lhe rendeu reconhecimento em festivais.
Reconhecimento por uma vida dedicada à arte
Ao longo de mais de 80 anos de carreira, Laura Cardoso recebeu algumas das principais distinções culturais do país. A lista inclui Prêmios Shell, Troféus da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), premiações no cinema e a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo governo brasileiro em 2006.
A longevidade artística de Laura acompanhou a própria formação da dramaturgia nacional: do tempo em que o público imaginava os cenários pelo rádio à televisão em cores e às produções digitais. Sua morte encerra uma das trajetórias mais extensas e representativas da cultura brasileira.






