Maranhão tem a 3ª maior taxa de internação infantil por acidentes do Brasil

Queimaduras responderam por mais da metade dos casos e atingiram o maior percentual do país
Maranhão tem a 3ª maior taxa de internação infantil por acidentes do Brasil
Maranhão teve 6.886 internações infantis por acidentes em 2025 (Foto: Divulgação)

O Maranhão registrou 6.886 internações de crianças e adolescentes de até 14 anos em decorrência de acidentes ao longo de 2025. O volume corresponde a 102 hospitalizações por 100 mil habitantes, terceira maior taxa entre os estados brasileiros.

O índice maranhense ficou atrás apenas dos registrados no Pará, com 120 internações por 100 mil habitantes, e no Tocantins, com 113. A média nacional foi de 63 ocorrências.

Os números fazem parte de um levantamento do Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, elaborado a partir de dados do Ministério da Saúde disponíveis no DataSUS.

Queimaduras representam 55,7% das internações

O perfil dos acidentes no Maranhão difere do observado no restante do país. Enquanto as quedas aparecem como a principal causa de hospitalização infantil no cenário nacional, as queimaduras lideram com ampla vantagem no estado.

Foram 3.833 internações por queimaduras em 2025, o equivalente a 55,7% de todas as hospitalizações maranhenses por lesões não intencionais nessa faixa etária. Trata-se da maior participação percentual desse tipo de acidente registrada no Brasil.

Outro dado amplia o alerta: em 3.722 casos, correspondentes a 97,1% das internações por queimaduras, o agente causador não foi detalhado de forma precisa no atendimento médico.

Essas ocorrências foram inseridas na categoria “exposição a outros fatores ambientais artificiais e não especificados”. A classificação genérica dificulta saber se as lesões foram provocadas por líquidos quentes, fogo, eletricidade, produtos químicos ou outras fontes.

Para o pesquisador José Carlos Sturza de Moraes, a ausência dessa informação compromete a criação de medidas preventivas voltadas às situações que mais colocam crianças em risco.

“Quando o sistema de saúde não consegue identificar o agente causador do acidente no prontuário, a sociedade perde a oportunidade de criar mecanismos reais e campanhas efetivas direcionadas à prevenção”, afirma.

Motocicletas aparecem em acidentes de trânsito

Os sinistros de trânsito provocaram 369 internações de crianças e adolescentes no Maranhão durante o mesmo período. Desse total, 139 hospitalizações envolveram motocicletas, o equivalente a 37,7% dos casos.

O levantamento aponta uma mudança no perfil das vítimas. Crianças que antes apareciam principalmente como pedestres passaram a figurar com maior frequência como ocupantes de motocicletas e bicicletas.

O cenário amplia a necessidade de fiscalização e de medidas de proteção, especialmente sobre o transporte de crianças em motos, o uso de equipamentos adequados e a responsabilidade dos adultos durante os deslocamentos.

Falta de detalhes também atinge registros de transporte

Além dos casos diretamente associados ao trânsito, o Maranhão contabilizou 705 internações na categoria “acidente de transporte não especificado”.

Nessas ocorrências, o atendimento hospitalar identificou relação com algum meio de transporte, mas não registrou informações suficientes para esclarecer a dinâmica do acidente.

O estado liderou o país nesse tipo de classificação. Os 705 casos representam 61,5% das hospitalizações inseridas no grupo de “outros acidentes” no Maranhão.

Assim como ocorre com as queimaduras, a falta de precisão reduz a capacidade de identificar os principais riscos e planejar ações preventivas específicas.

Acidentes mataram mais de 3,3 mil crianças no país

O estudo também analisou as mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos registradas no Brasil em 2024. Ao todo, 3.341 vítimas morreram nas oito categorias de acidentes avaliadas.

As sufocações foram a principal causa, com 1.039 mortes, ou 31,1% do total. Em seguida aparecem os acidentes de trânsito, com 922 óbitos, e os afogamentos, com 850.

Somadas, essas três causas concentraram aproximadamente 84,1% das mortes infantis por acidentes no período.

A faixa de 1 a 4 anos reuniu o maior número de vítimas, com 1.095 mortes. Bebês com menos de um ano somaram outros 930 óbitos.

O risco também muda conforme a idade. Três em cada quatro mortes por sufocação atingiram bebês, enquanto os afogamentos se concentraram principalmente entre crianças de 1 a 4 anos. Já os acidentes de trânsito alcançaram ocupantes de veículos, pedestres, motociclistas e ciclistas.

Os dados reforçam a necessidade de melhorar a qualidade dos registros hospitalares e ampliar medidas de prevenção dentro de casa, nas ruas, em áreas de lazer e durante o transporte de crianças.