Recurso sobre programas bilíngues de 12 escolas de São Luís seguirá ao STJ

MPMA contesta decisões que rejeitaram ação sobre cobrança de materiais e possível venda casada
Recurso sobre programas bilíngues de 12 escolas de São Luís seguirá ao STJ
Recurso do MPMA sobre programas bilíngues de 12 escolas de São Luís seguirá ao STJ (Foto: Reprodução / Agência VB)

A implantação de programas bilíngues em 12 escolas de São Luís será discutida em um recurso encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Ministério Público do Maranhão questiona decisões que rejeitaram uma ação sobre supostas irregularidades na contratação do serviço e na venda de materiais didáticos de inglês.

A Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) admitiu o Recurso Especial apresentado pelo MPMA em abril deste ano. Com isso, os autos serão remetidos ao STJ, que avaliará o recurso. Essa etapa permite o prosseguimento da contestação, mas não representa uma decisão favorável aos pedidos do Ministério Público.

Reclamações de famílias motivaram a ação

O caso começou em março de 2020, quando a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de São Luís ajuizou uma Ação Civil Pública em parceria com o Procon-MA.

Segundo o MPMA, pais e responsáveis relataram que, após mudanças no ensino da língua inglesa, as escolas passaram a impor programas bilíngues como um serviço diferenciado. As reclamações também apontavam cobrança por materiais didáticos com preços considerados muito superiores à média de mercado.

Na ação, a promotora de justiça Alineide Martins Rabelo Costa sustentou a existência de práticas como venda casada, cláusulas contratuais ilegais e desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor. Uma das questões levantadas foi a exigência de compra do material de inglês na própria escola.

O Ministério Público também argumentou que os programas haviam sido implantados sem aprovação do Conselho Estadual de Educação. Os pedidos incluíram a devolução dos valores pagos e indenização por dano moral coletivo.

Justiça rejeitou os pedidos nas duas instâncias

Na primeira instância, os pedidos foram julgados improcedentes. O MPMA recorreu, mas o Tribunal de Justiça manteve a decisão. Posteriormente, o TJMA também rejeitou os embargos de declaração apresentados pelo órgão.

Assim, as irregularidades apontadas pelo Ministério Público não foram reconhecidas nas decisões proferidas até essa fase do processo.

O que o Ministério Público questiona

No Recurso Especial, o procurador de justiça Marco Antonio Anchieta Guerreiro, titular da 12ª Procuradoria de Justiça Cível, afirma que o TJMA deixou de examinar individualmente a situação das 12 escolas, apesar das diferenças entre os casos.

Outro ponto da contestação é a alegada ausência de resposta do tribunal sobre a necessidade de autorização do Conselho Estadual de Educação para a implantação dos programas bilíngues.

Essas questões fundamentam a tentativa do MPMA de levar a discussão ao STJ. O material divulgado não informa a data do julgamento nem identifica as instituições de ensino envolvidas.