O Ministério da Saúde iniciou neste sábado (20) a aplicação da vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) na rede pública de saúde. O imunizante passa a integrar o Calendário Nacional de Vacinação e promete ampliar significativamente a proteção de crianças contra doenças graves causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por casos de pneumonia, meningite, infecções generalizadas e otite.
A nova vacina substitui a pneumocócica 10-valente, utilizada até então pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A principal diferença está na cobertura: enquanto a versão anterior protegia contra 10 sorotipos da bactéria, a Pneumo 20 oferece proteção contra 20 variantes, incluindo algumas associadas aos quadros mais graves da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 570 mil doses já foram distribuídas aos estados brasileiros e a expectativa é ultrapassar 6 milhões de doses entregues até o fim de 2026. A medida amplia o acesso a uma vacina que, até então, estava disponível apenas na rede privada, onde cada dose podia custar mais de R$ 500.
Ampliação da proteção
Entre os sorotipos incluídos na nova formulação estão os tipos 3, 6A e 19A, frequentemente relacionados a casos severos da doença pneumocócica. Segundo estimativas do governo federal, a cobertura contra os sorotipos mais associados a formas graves da infecção em crianças menores de cinco anos salta de 3% para 77% com a adoção da Pneumo 20.
Além de prevenir doenças invasivas, como meningite e infecções na corrente sanguínea, o imunizante também reduz o risco de otite média, uma das infecções mais comuns na infância.
Público-alvo e esquema vacinal
A vacinação é destinada a crianças menores de cinco anos, além de grupos específicos considerados mais vulneráveis. Também poderão receber a dose crianças a partir de dois anos com condições clínicas especiais, idosos institucionalizados com 60 anos ou mais e indígenas acima de cinco anos sem histórico vacinal.
Para os bebês, o esquema segue o calendário já adotado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), com doses aos dois e quatro meses de idade e reforço aos 12 meses. Nos demais grupos contemplados, a aplicação ocorre em dose única, conforme avaliação dos serviços de saúde.
Doença ainda preocupa
O pneumococo é uma bactéria que pode ser transmitida facilmente por meio das vias respiratórias, principalmente entre crianças. Embora muitas pessoas sejam portadoras sem apresentar sintomas, a infecção pode evoluir para quadros graves e potencialmente fatais.
Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil registrou aproximadamente 4,6 mil casos de meningite pneumocócica entre 2023 e 2025, com cerca de 1,4 mil mortes no período.
A expectativa do governo é imunizar cerca de 2,4 milhões de bebês por ano com a nova vacina, fortalecendo a prevenção de doenças graves e reduzindo internações e óbitos evitáveis.






