A tia de Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, principal suspeita de assassinar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, fez um apelo público para que a sobrinha se entregue à polícia. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (1º), Nilza Maria Neto afirmou acreditar que Paola possa ter sofrido um surto e disse que a família está profundamente abalada com o crime. A suspeita permanece foragida.
“Se foi você que fez essa atrocidade, você deve ter tido um surto, alguma coisa. Por amor aos seus avós e ao seu filho, aparece. Se não é você, se a dona te deu a mochila mesmo, aparece, dá sua cara a tapa”, declarou a tia.
De acordo com a Polícia Civil, Paola é apontada como a principal suspeita pelas mortes do casal, encontradas dentro de um apartamento no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. As investigações indicam que, após deixar o imóvel, ela foi para a casa da tia, em Ribeirão das Neves, carregando uma mochila preta.
No dia seguinte, segundo familiares, reuniu os próprios pertences e os do filho, informou que viajaria para o Espírito Santo e, posteriormente, disse que ficaria hospedada em um hotel. Desde então, não foi mais localizada.
Câmeras de segurança do prédio registraram a entrada e saída da suspeita, que havia sido indicada para trabalhar com as vítimas.
Família relata histórico de tratamento psiquiátrico
Nilza afirmou que a sobrinha morava com a família havia mais de um ano, nunca apresentou comportamento violento e sempre foi dedicada ao filho.
“Era uma pessoa boa, trabalhadora, sempre cuidou do filho. Estamos destruídos, atordoados. Quero que a Justiça seja feita, seja ela, seja quem for”, afirmou.
A tia também revelou que Paola enfrentou problemas de saúde mental cerca de um ano atrás. Segundo ela, a família chegou a levá-la a um hospital psiquiátrico em Belo Horizonte, onde iniciou tratamento com medicamentos, mas não manteve o acompanhamento de forma regular.
Polícia investiga possível ajuda na fuga
Além das buscas para localizar a suspeita, a Polícia Civil apura se ela contou com apoio de terceiros para deixar a cidade após o crime.
O delegado Gustavo Barletta, do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), afirmou que existem indícios de que outra pessoa possa ter auxiliado na fuga.
“Existe a possibilidade de uma outra pessoa ter ajudado ou dado suporte para que ela deixasse o local”, afirmou.
A principal linha de investigação é de latrocínio (roubo seguido de morte), já que diversos objetos desapareceram do apartamento das vítimas.
Imagens do circuito interno do edifício mostram que Paola entrou no prédio carregando apenas uma bolsa. Horas depois, saiu usando roupas diferentes e levando mochilas e sacolas, o que, segundo a polícia, indica que pertences do casal foram retirados do imóvel.
Ainda conforme o delegado, Paola não possui antecedentes criminais conhecidos. Caso ela continue foragida, a Polícia Civil deve solicitar à Justiça a decretação de sua prisão.
Relembre o caso
Os corpos de Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio foram encontrados na tarde de terça-feira (30), dentro do apartamento onde moravam, após um dos filhos estranhar a falta de contato com os pais e ir até o imóvel.
A perícia concluiu que o crime provavelmente ocorreu na tarde de segunda-feira (29). Maria Clotilde foi atingida por cerca de sete facadas na região do pescoço, garganta, tórax e pelve. Cláudio sofreu aproximadamente 17 golpes, principalmente no abdômen, pescoço e costas. Ambos apresentavam ferimentos compatíveis com tentativa de defesa.
Durante a perícia, os investigadores também identificaram o arrombamento de uma gaveta onde eram guardadas semijoias e constataram o desaparecimento dos celulares das vítimas, elementos que reforçam a hipótese de latrocínio.
Os corpos foram liberados para a família nesta quarta-feira (1º). O velório e o sepultamento estão previstos para ocorrer no Cemitério Parque da Colina, no bairro Nova Cintra, em Belo Horizonte.






