Três servidores do TJMA são afastados por negociações com tabelião investigado

PF cumpriu ordens do CNJ em ação que reforça investigação disciplinar e criminal contra Aurino da Rocha Luz.
Assembleia do Maranhão aprova reajuste salarial para servidores do Judiciário
Assembleia Legislativa do Maranhão aprovou projeto que atualiza salários de servidores do Judiciário estadual (Foto: Reprodução)

A Polícia Federal realizou diligências, nesta quarta-feira (10), em dependências internas do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), atendendo determinações do Conselho Nacional de Justiça no caso que envolve o delegatário do 1º Ofício de Registro de Imóveis e Notas de Caxias, Aurino da Rocha Luz. A operação levou ao afastamento imediato de três servidores que mantiveram negociações privadas com o tabelião, investigado em múltiplos procedimentos administrativos e criminais.

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As diligências, que foram reveladas pelo site Direito e Ordem, incluíram buscas em gabinetes do Tribunal, entre eles o do desembargador Jamil Gedeon.

Segundo as apurações, Aurino teria vendido um veículo UTV a uma servidora do gabinete do desembargador e negociado um precatório com outra funcionária, além de realizar uma transação particular com um terceiro servidor. Tais condutas, consideradas incompatíveis com o exercício do cargo público, motivaram o afastamento dos três por decisão unânime do CNJ. A presença da PF nos gabinetes integra o cumprimento das cautelares impostas pela Corregedoria Nacional de Justiça.

O CNJ também decidiu, na sessão desta terça-feira (9), instaurar Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o delegatário, mantendo seu afastamento cautelar. O ministro Mauro Campbell Marques classificou os atos atribuídos a Aurino como “extremamente graves e continuados”, apontando que diversos deles teriam beneficiado diretamente familiares. O tabelião acumula dois outros PADs no CNJ — em um deles, já recebeu suspensão. Campbell afirmou que a medida é necessária para “restabelecer a confiança no serviço notarial”.

Além das investigações no âmbito administrativo, Aurino responde a duas denúncias criminais apresentadas pelo Ministério Público do Maranhão em junho. Ele é acusado de falsificação documental em transações imobiliárias avaliadas em R$ 3,5 milhões, além de cobrar emolumentos acima da tabela legal. Para os promotores, o delegatário teria favorecido a empresa FR Agropecuária, ligada à esposa e às filhas, reduzindo artificialmente o valor declarado de propriedades rurais e acumulando vantagens indevidas. Apenas na prática de excesso de exação, o prejuízo aos usuários do cartório ultrapassaria R$ 43 mil.

As denúncias incluem pedidos de indenização por danos morais coletivos, cada um no valor mínimo de R$ 1 milhão. A defesa do tabelião, representada pelo advogado Einstein Sepúlveda, nega todas as acusações e afirma que Aurino é alvo de uma “campanha de perseguição” movida por grupos influentes de Caxias. O advogado sustenta que o tabelião sempre atuou de forma regular e que “inúmeros elementos de defesa serão apresentados”, citando que um dos processos já teria sido arquivado pelo Ministério Público.

Até o momento o TJMA nem o desembargador Jamil Gedeon se manifestaram sobre o caso. O espaço segue aberto para possíveis esclarecimentos.