Tribunal do Maranhão recua e cancela edital para compra de 50 iPhones

A revogação foi oficializada pelo presidente da Corte, desembargador Froz Sobrinho
TJMA convoca mais 34 aprovados no concurso para juiz substituto
TJMA convoca mais 34 aprovados no concurso para juiz substituto (Foto: Reprodução)

O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) voltou atrás e cancelou o pregão eletrônico que previa a compra de 50 aparelhos iPhone 16 Pro Max, após forte reação pública e questionamentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A revogação foi oficializada pelo presidente da Corte, desembargador Froz Sobrinho, no dia 11 de abril — data em que também foi informado sobre o julgamento virtual que o CNJ realizaria para decidir o futuro da licitação.

O edital suspenso havia causado polêmica por prever a aquisição de smartphones de última geração, com valores que poderiam ultrapassar R$ 500 mil no total. A justificativa do TJMA de que os celulares seriam usados para “melhorar a comunicação institucional” não convenceu o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, que concedeu liminar suspendendo o processo licitatório.

No ofício enviado ao CNJ, Froz Sobrinho explicou que o pregão deixava de atender ao interesse público. Ele citou a necessidade de redirecionar os recursos para demandas mais urgentes e a revisão das prioridades administrativas do tribunal.

A revogação do edital, porém, ocorreu justamente no dia em que o presidente do TJMA foi notificado sobre o julgamento do caso pelo plenário do CNJ, marcado para ocorrer entre os dias 23 e 30 de abril. O momento da decisão gerou suspeitas de que a medida tenha sido uma resposta direta à intervenção do Conselho, e não uma iniciativa voluntária da gestão.

O caso atraiu a atenção da opinião pública e de juristas pela disparidade entre o valor dos equipamentos e a necessidade institucional declarada. A repercussão expôs o uso de recursos públicos no Judiciário e reforçou o papel de fiscalização exercido pelos órgãos de controle externo.

A medida do TJMA também reacende o debate sobre transparência na gestão orçamentária de tribunais e o que de fato pode ser considerado prioridade para o bom funcionamento da Justiça.