TDAH ao volante: o que muda na direção e como reduzir o risco

Estudos apontam mais chance de sinistros entre motoristas com TDAH; hábitos, cenário de tráfego e medicação fazem diferença.
TDAH ao volante: o que muda na direção e como reduzir o risco
: Estudos apontam mais chance de sinistros entre motoristas com TDAH (Foto: Rovena Rosa)

Impulsividade, desatenção e inquietação — marcas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) — podem atravessar a vida adulta e aparecer também no trânsito. A Abramet alerta: pessoas com TDAH têm duas vezes mais chance de se envolver em sinistros. O risco, porém, varia conforme o contexto e pode ser mitigado com ajustes de rotina, acompanhamento médico e escolhas ao dirigir.

Por que o risco aumenta

  • Impulsividade e busca de emoção: ultrapassagens apressadas e decisões sem avaliar consequências.
  • Déficit de atenção sustentada: dificuldade para manter foco por longos períodos, sobretudo em condução monótona (estradas longas e pouco movimentadas).
  • Superestimação de competência: sensação de controle maior do que o real, mantendo comportamentos de risco.

Quando dirigir tende a ser mais seguro

  • Cenários urbanos e tráfego intenso: mais estímulos e necessidade de respostas frequentes ajudam a manter a atenção.
  • Câmbio manual (quando habilitado): o ato de trocar marchas aumenta o engajamento atencional e pode melhorar o desempenho.
  • Percursos curtos e conhecidos: menos fadiga e menor chance de distração prolongada.

Situações que pioram o desempenho

  • Viagens longas e vias pouco movimentadas (rotas “hipnóticas”).
  • Tarefas secundárias: comer, beber, ajustar rádio, conversar olhando para trás, celular (mesmo no viva-voz) — todas pioram substancialmente a condução.
  • Privação de sono e estresse: reduzem a autorregulação e o foco.

Boas práticas para reduzir risco (checklist)

  • Planeje o trajeto: divida viagens longas com pausas a cada 60–90 min.
  • Higiene do sono: dirija descansado; evite volante após noites ruins.
  • Regra “uma coisa de cada vez”: nada de lanches, trocas de playlist ou mensagens em movimento.
  • Ambiente a favor: temperatura agradável, cabine organizada e sem estímulos visuais desnecessários.
  • Carro como aliado: use assistentes (alerta de faixa, limitador/controle de cruzeiro adaptativo) quando disponíveis — sem terceirizar a atenção.
  • Medicação e acompanhamento: se houver prescrição, adhere ao tratamento antes de dirigir; ajuste de dose e horário pode melhorar o foco ao volante.
  • Autoconhecimento: se notar dispersão, irritação ou sonolência, pare com segurança e retome depois.

O que dizem os números

No Brasil, estimativas indicam prevalência de TDAH de cerca de 7,6% em crianças/adolescentes (6–17 anos), 5,2% em 18–44 anos e 6,1% acima de 44 anos — reforçando que o tema é de saúde pública também no trânsito.

Aviso importante: Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de TDAH, converse com seu médico do tráfego/psiquiatra sobre aptidão para dirigir, ajustes terapêuticos e estratégias personalizadas de segurança.

Com informações da Agência Brasil