Faltando três meses para o fim do ano letivo, escolas particulares já comunicam às famílias os valores de 2026. Segundo o Grupo Rabbit (consultoria especializada no setor), a média de reajuste é de 9,8%, patamar superior à inflação projetada pela Pesquisa Focus (4,83%). A amostra ouviu 308 escolas em todas as regiões do país.
O que está por trás da alta
De acordo com Christian Coelho, CEO do Grupo Rabbit, três componentes predominam no cálculo das escolas:
- Inflação do período (acumulada de 5,13% nos 12 meses até agosto);
- Investimentos realizados no ano anterior (programas, infraestrutura, tecnologia);
- Reajustes salariais de professores e equipes administrativas.
“O grande custo das escolas é a manutenção e os investimentos em novas atividades e recursos, como programas bilíngues”, resume Coelho.
Como as escolas estão comunicando os valores
A maior parte das instituições divulga as tabelas de rematrícula no fim de setembro, muitas com modelos progressivos (quanto antes a renovação, menor o reajuste), para ganhar previsibilidade e negociar com fornecedores.
Exemplos no Rio
- Saint John (Barra da Tijuca): 8,5% a 12,5%, conforme a data de renovação.
- Inovar Veiga de Almeida (Barra): 7% a 11%; segundo a escola, pesam dissídio, custos diretos e manutenção.
- Colégio Franco (Laranjeiras): 9,97% em todas as séries; famílias podem sentir alta maior ao mudar de segmento (ex.: 5º para 6º ano) por serviços adicionais.
- CEL (Jardim Botânico, Cachambi e Barra): 9,8%, mesmo índice do PH.
- Sá Pereira (Botafogo): cerca de 9,2%.
- Edem (Laranjeiras): 6,5% a 6,7%.
- Santos Anjos (Tijuca): 7,5%.
- Mopi (Tijuca e Itanhangá): 8%.
- Santa Mônica (Bonsucesso, Cachambi, São Gonçalo e Taquara): 8%, com base na planilha de custos projetada.
Exemplos em São Paulo
- Colégio Bandeirantes (Vila Mariana): 11,5%; escola cita custos do setor e investimentos contínuos.
- Objetivo (capital e RM): 7,5% a 9,2%, variando por série e unidade.
Orçamento das famílias e estratégias
Alguns responsáveis antecipam matrícula para aproveitar a tabela do ano vigente e diluir despesas (matrícula, material, livros). É o caso de famílias que migram de escola ainda em 2025 para travar preço e reduzir o impacto no início do ano.
Endividamento, inadimplência e investimentos
O Grupo Rabbit observa que parte das escolas tenta recuperar perdas da pandemia: 70% estão hoje mais endividadas do que antes de 2020. Entre janeiro e abril, a inadimplência ficou entre 4,8% e 5,4%, podendo ser maior em algumas redes (na Progressão, Zona Norte e Baixada Fluminense, chega a 20%; o reajuste anunciado para 2026 é de 9%).
Mesmo com margens pressionadas, 70,5% das escolas planejam novas atividades (programas bilíngues, projetos socioemocionais) e 52% preveem melhorias de infraestrutura (pintura, mobiliário, computadores e equipamentos).
Dá para negociar?
Para o economista André Braz (Ibre/FGV), os aumentos refletem custos (aluguel, energia) e planos de investimento. Ainda assim, cabe negociação caso a caso:
- Bom desempenho do aluno pode interessar à escola;
- Mais de um filho matriculado abre espaço para condições diferenciadas;
- Pagamento antecipado ou à vista pode gerar descontos;
- Verifique mudanças de segmento (fundamental I → fundamental II), que encarecem por incluir novos serviços.
Exemplo de política flexível
Na rede ZeroHum, o reajuste previsto é de 11%, mas a direção sinaliza flexibilidade conforme a negociação com as famílias, mesmo com pressões de sistemas de ensino, folha salarial e aluguéis.
Em resumo (guia rápido para famílias)
- Média Brasil (2026): +9,8% (Rabbit, 308 escolas).
- Fatores-chave: inflação, investimentos, salários.
- Faixa observada: ~6,5% a 12,5%, a depender da escola/segmento.
- Boas práticas de negociação: histórico do aluno, irmãos na mesma escola, formas e prazos de pagamento, antecipação.
Com informações de Letícia Lopes – O Globo






