Hospital abre protocolo de morte encefálica para jovem que tomou vodca

Bruna Araújo foi internada em estado grave após consumir bebida contaminada com suco de pêssego.
Hospital abre protocolo de morte encefálica para jovem que tomou drinque de vodca
Bruna Araújo foi internada em estado grave após consumir vodca (Foto: Reprodução)

A família de Bruna Araújo de Souza, 30 anos, informou que o Hospital de Clínicas de São Bernardo abriu protocolo de morte encefálica nesta sexta (3). A jovem está internada em estado grave desde 29 de setembro, após ser atendida em uma UPA e transferida já entubada. O caso é tratado por autoridades como suspeita de intoxicação por metanol.

O que é o protocolo de morte encefálica

Segundo as normas médicas, o procedimento reúne exames para confirmar a perda completa e irreversível das funções cerebrais. Entre as etapas obrigatórias estão:

  • dois exames clínicos demonstrando ausência de percepção e de reflexos do tronco encefálico;
  • teste de apneia, que verifica ausência de movimentos respiratórios após estímulo máximo;
  • exame complementar que comprove ausência de atividade encefálica.

Linha do tempo do caso

  • Domingo (29/9) — Bruna vai a um bar de São Bernardo para assistir a um show de pagode e consome bebidas ao longo da tarde e noite, segundo amigos.
  • Segunda (30/9) — Ela apresenta náuseas, vômitos e visão turva e procura atendimento; é entubada e transferida ao Hospital de Clínicas.
  • Durante a internação — De acordo com familiares, recebeu o antídoto indicado para casos de metanol e passou por hemodiálise. O namorado também foi internado em outra unidade, segundo a família.
  • Sexta (3) — Parentes relatam a abertura do protocolo de morte encefálica.

O que é o metanol e por que é perigoso

Metanol é uma substância tóxica, inflamável e de difícil identificação sensorial. A ingestão, inalação ou contato prolongado pode causar náusea, tontura, convulsões, cegueira e morte. Pequenas quantidades já representam risco. Em bebidas adulteradas, pode surgir por contaminação ou uso indevido no processo clandestino.

Investigações: falsificação e cadeia de fornecimento

A Polícia Civil vistoriou uma distribuidora que teria fornecido a bebida consumida por Bruna; o responsável negou exclusividade no abastecimento.

Em operação nesta sexta (3), o Deic prendeu, na Zona Norte de São Paulo, um homem apontado como fornecedor de materiais para falsificação de destilados. Em dois imóveis ligados ao investigado, foram apreendidos milhares de itensgarrafas, tampas, rótulos, caixas e até selos arrecadadores de IPI. A estimativa é de 20 mil garrafas recolhidas. Ele foi autuado por crimes contra a propriedade industrial e contra as relações de consumo.

Principal linha de apuração

De acordo com fontes ouvidas pela imprensa, a polícia investiga se metanol — ou etanol adulterado com metanol — teria sido usado para higienizar garrafas reaproveitadas em fábricas clandestinas, antes do envasamento fraudulento. A rota das bebidas consumidas pelas vítimas levou os investigadores de bares a distribuidoras e, por fim, a galpões clandestinos. Ainda não há identificação pública dos responsáveis pelo possível esquema nem confirmação sobre a origem do metanol.

Orientação ao público

Autoridades recomendam comprar apenas bebidas com procedência rastreável, conferir lacres e rótulos, desconfiar de preços muito abaixo do mercado e procurar atendimento imediato em caso de sintomas como visão borrada, náuseas, vômitos, dor de cabeça intensa, confusão ou falta de ar após consumo de álcool.

Com informações da TV Globo e g1 SP