O tenente Alexandre Filipe Tupinambá Silva, da Polícia Militar do Piauí, foi preso neste sábado (18), em um condomínio no bairro Pedra Mole, Zona Leste da capital, suspeito de matar o caseiro José de Ribamar Pereira Osório, 54, em abril de 2023, para receber um seguro de vida de R$ 1,5 milhão supostamente contratado sem o conhecimento da vítima, segundo a Polícia Civil do Piauí. A defesa do policial não se manifestou até o fechamento deste texto.
O caso
De acordo com o delegado Tales Gomes, diretor de Operações Policiais, José de Ribamar trabalhava como caseiro em uma propriedade do tenente em Santo Inácio do Piauí (Sul do estado). As investigações indicam que um advogado foi colocado como beneficiário do seguro; nem a vítima nem seus familiares teriam ciência da apólice. A família soube do seguro após a visita de um funcionário da seguradora à cidade para checagens preliminares.
Ainda segundo a polícia, o tenente teria oferecido dinheiro à filha da vítima para que a família não comentasse sobre a apólice. Na noite do crime, Alexandre teria chamado José ao sítio; preocupado com a demora, a esposa do caseiro foi ao local e o encontrou morto.
Fraude documental e coação, diz a Polícia Civil
A apuração aponta que o tenente estava em Santo Inácio no dia da morte e que houve adulteração do documento de óbito para viabilizar o recebimento do seguro: embora a causa real tenha sido parada cardiorrespiratória, o atestado registrava descarga elétrica. A polícia afirma ter identificado fraude na emissão e coação a pessoas do cartório e ligadas ao inquérito para alterar a documentação.
Prisão e próximos passos
O oficial foi encaminhado ao Presídio da Polícia Militar, em Teresina, e deve passar por audiência de custódia neste domingo (19). Em nota, a PM do Piauí informou que apoiou a prisão e que “não coaduna com esse tipo de conduta”. O corregedor-adjunto da corporação, tenente-coronel Zeth, disse que Alexandre responde a um conselho de justificação, que decidirá sobre sua permanência na instituição.
Histórico de acusações
O tenente já havia sido preso em 2023 por desobedecer ordens militares e pelo furto de 30 cheques da conselheira Flora Izabel (TCE-PI), caso no qual foi indiciado por estelionato e furto qualificado; o prejuízo estimado é de R$ 100 mil. À época, o Ministério Público o denunciou por descumprir ordem da comandante da 2ª Companhia do Batalhão de Guardas e por não comparecer à abertura de investigação interna da Corregedoria.
Segundo a Polícia Civil, o tenente também é investigado por ao menos dez golpes financeiros contra locadoras de veículos e por revender carros a agiotas após fechar contratos. Há ainda suspeita de que enganou a própria esposa, vendendo o apartamento dela três vezes. Em julho de 2023, o delegado Ademar Canabrava afirmou: “As vítimas são principalmente locadoras de veículos que confiavam no policial; após o negócio fechado, ele revendia os carros. Nem a própria mulher escapava dos golpes”.
Importante: O tenente Alexandre responde como suspeito e tem direito à ampla defesa e ao contraditório. A investigação segue em andamento.
Com informações de Eric Souza, g1 PI






