O Tribunal do Júri da 2ª Vara Criminal de Caxias concluiu, na última terça-feira (26), um julgamento de dois dias que condenou três acusados pelo homicídio qualificado do advogado Ronaldo de Oliveira Sousa Rego, de 26 anos. A sessão, presidida pelo juiz Alessandro Arrais Pereira, teve início no dia 25 e incluiu pernoite das juradas em hotel, em regime de silêncio e sob acompanhamento de oficiais de Justiça. Procedimento adotado para garantir a integridade do julgamento.
O assassinato ocorreu em 19 de abril de 2023, na oficina mecânica do pai da vítima, localizada na rua Aluísio Lobo.. A motivação, segundo as investigações, teria sido o descontentamento com serviços advocatícios prestados por Ronaldo, embora esse ponto não tenha sido levado a plenário.
Ronaldo de Oliveira é primo do vereador de Caxias Gentil Oliveira, que lamentou à época a morte trágica do advogado.
Na sentença, o magistrado ressaltou o impacto simbólico do crime:
“Quando se mata um advogado por força de sua atuação, morre um pouco a sociedade. A esperança e o resgate de direitos florescem da atuação do advogado, verdadeiro guardião e porta-voz de cidadania”, afirmou.
Entenda o caso
Ronaldo Rego foi morto dentro da loja do pai, quando um homem disfarçado de entregador de aplicativo se aproximou da porta, simulou a entrega de uma encomenda e efetuou vários disparos de arma de fogo. O criminoso fugiu em uma motocicleta sem placa logo após o ataque.
As investigações da Polícia Civil apontaram a participação de três envolvidos:
📌 Ian Felipe Lima Leal
Escondeu a motocicleta usada no crime após a execução.
📌 Kassio Moreira de Souza
Conduziu o veículo Corolla que levou o autor dos disparos até o local. Câmeras de monitoramento registraram sua chegada à residência usada para preparar o disfarce.
📌 Wanderson Almeida Silva
Levou sua motocicleta até a casa na Rua Frei Serafim, nº 1224, para ser usada na ação criminosa. Foi reconhecido como partícipe, embora com menor importância.
As imagens de vigilância mostraram a movimentação dos suspeitos: a chegada do Corolla, a saída do atirador com bolsa térmica e vestimenta de entregador, a execução do crime e o retorno à residência onde a moto foi devolvida e ocultada.
Decisão do júri
O Conselho de Sentença reconheceu, por maioria, a autoria e a materialidade do crime, acolhendo as teses da acusação e rejeitando os pedidos de absolvição da defesa. Os jurados também:
- Reconheceram participação de menor importância para Wanderson Almeida Silva.
- Rejeitaram a tentativa de desclassificação para homicídio culposo defendida por Kassio.
Com base no veredicto, o juiz condenou:
- Ian Felipe Lima Leal — 16 anos e 6 meses de reclusão;
- Kassio Moreira de Souza — 16 anos e 6 meses de reclusão;
- Wanderson Almeida Silva — 11 anos de reclusão, considerando participação reduzida.
As penas serão cumpridas em regime inicialmente fechado.






