O Ministério Público do Maranhão apresentou, nesta segunda-feira (19), denúncia criminal contra o prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), e outras nove pessoas investigadas na Operação Tântalo II, que apura um esquema de desvio de recursos públicos estimado em R$ 56,3 milhões no município.
A peça foi assinada pelo procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, e encaminhada ao gabinete da desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim, relatora do caso na 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão. Caberá ao colegiado decidir sobre o recebimento da denúncia. Caso seja aceita, os investigados passam à condição de réus e responderão judicialmente pelos crimes apontados.
Segundo o Ministério Público, a denúncia atende aos requisitos do artigo 41 do Código de Processo Penal, com descrição pormenorizada dos fatos, tipificação penal e indícios suficientes de autoria e materialidade. Em caso de condenação, o órgão pede a fixação de penas-base mais elevadas, em razão da gravidade das condutas e do impacto financeiro ao erário. O MPMA informou ainda que novas denúncias contra outros núcleos do esquema estão em fase final de elaboração.
Prefeito é apontado como chefe do esquema
De acordo com a acusação, José Paulo Silva Dantas Neto, conhecido como Paulo Curió, teria liderado a organização criminosa, valendo-se do cargo para estruturar, coordenar e manter o esquema de desvios. Ele foi denunciado pelos crimes de:
- organização criminosa;
- desvio de rendas e valores públicos;
- fraude a licitações;
- corrupção passiva;
- lavagem de dinheiro.
Os crimes, segundo o MP, teriam ocorrido de forma reiterada, com uso de contratos simulados, restrição à competitividade em processos licitatórios e ocultação da origem dos recursos ilícitos.
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Núcleo familiar e político na mira
A denúncia inclui familiares diretos e agentes políticos do município, apontados como peças-chave para a circulação e dissimulação do dinheiro desviado. Entre os denunciados estão:
- Eva Maria Oliveira Cutrim Dantas (Eva Curió), primeira-dama, acusada de integrar a organização e atuar na gestão financeira dos valores ilícitos;
- Tanya Karla Cardoso Mendes Mendonça, vice-prefeita, denunciada por integração no esquema e corrupção passiva;
- Janaína Soares Lima, ex-vice-prefeita e sócia do Posto Turi, apontada por fraudes em licitações e recebimento de vantagens indevidas;
- Domingos Sávio Fonseca Silva, pai do prefeito;
- Marcel Everton Dantas Filho, Taily de Jesus Everton Silva Amorim, Ritalice Souza Abreu Dantas, Jander Silvério Amorim Pereira e José Paulo Dantas Filho, todos parentes próximos, indicados como interpostas pessoas na movimentação e ocultação dos recursos.
Crimes imputados
A acusação lista crimes previstos em diferentes legislações, entre eles:
- organização criminosa (Lei nº 12.850/2013);
- desvio de recursos públicos (Decreto-Lei nº 201/1967);
- fraude em licitações;
- corrupção passiva;
- lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998).
Para o MPMA, houve divisão de tarefas e atuação coordenada entre agentes públicos e familiares para garantir a continuidade do esquema.
Pedido de ressarcimento e manutenção de cautelares
Na denúncia, o Ministério Público requer:
- ressarcimento integral de R$ 56.328.937,59 aos cofres públicos;
- perda de bens e valores obtidos com os crimes, inclusive em nome de terceiros;
- perda de cargos, funções públicas ou mandatos eletivos quando configurado abuso de poder;
- manutenção das medidas cautelares, como bloqueio de bens, afastamento de funções públicas, proibição de contato entre investigados e restrição de acesso a repartições.
O órgão também pede a fixação de valor mínimo para reparação dos danos e a conversão definitiva das medidas patrimoniais já determinadas durante a investigação.






