Convocado para prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o deputado estadual Edson Araújo alegou problemas de saúde e não compareceu à oitiva prevista pelo colegiado, nesta segunda-feira, 9. O parlamentar chegou a ingressar com pedido de habeas corpus para evitar o depoimento, mas a solicitação foi negada pela Justiça. Ainda assim, ele também deixou de comparecer à junta médica do Senado, previamente agendada para avaliar sua condição clínica.
A sessão da CPMI que ouviria os depoentes acabou sendo adiada após a justificativa apresentada. Integrantes da comissão afirmam que novas medidas poderão ser adotadas caso a ausência seja considerada injustificada, incluindo condução coercitiva, conforme previsto na legislação.
O vice-presidente da CPMI, deputado federal Duarte Jr., declarou que não aceitará tentativas de obstrução das investigações. Ele afirmou ainda ter sido alvo de ameaças após o avanço das apurações e o aprofundamento das análises financeiras envolvendo o nome de Edson Araújo. Duarte registrou ocorrência na Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados e solicitou providências institucionais.
Investigação e dados financeiros
Edson Araújo é investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de inserção irregular de dados em sistemas oficiais e concessão indevida de benefícios previdenciários. A investigação conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e inclui medidas cautelares autorizadas pela Justiça, como buscas, retenção de valores em espécie e monitoramento eletrônico. Não há decisão judicial definitiva até o momento.
Dados encaminhados à CPMI indicam movimentações financeiras expressivas atribuídas ao parlamentar. Relatórios preliminares apontam que ele teria movimentado mais de R$ 18 milhões em cerca de seis meses no início de 2025, por meio de múltiplas contas bancárias. Parte das transações teria ocorrido em agência localizada no bairro Olho d’Água, em São Luís.
Também constam nos relatórios repasses de aproximadamente R$ 5,4 milhões recebidos entre maio de 2023 e maio de 2024 da Federação das Colônias de Pescadores do Estado do Maranhão, entidade da qual é presidente licenciado. A federação e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura, onde o deputado ocupa cargo de vice-presidente, também são objeto de análise.
A CPMI do INSS aprovou quebras de sigilo e novas convocações, ampliando o foco sobre o que seus integrantes classificam como possível núcleo político do esquema investigado. A nova data para o depoimento de Edson Araújo ainda será definida pelo colegiado.
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