Prefeitura de SL abre edital para shows sem cachê e transfere custos aos artistas

Proposta prevê apresentações “voluntárias” no Centro Histórico, com despesas de som, e estrutura bancadas pelos próprios músicos.
Prefeitura de São Luís abre edital para shows sem cachê e transfere custos aos artistas
Prefeitura de São Luís lança edital para apresentações musicais sem cachê no Mirante da Cidade (Foto: Reprodução)

A Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Turismo de São Luís, lançou um edital para selecionar atrações musicais que irão se apresentar no Mirante da Cidade sem qualquer pagamento de cachê. O documento define as apresentações como ações voluntárias e estabelece que os próprios artistas deverão arcar com todos os custos necessários para a realização dos shows.

O edital, assinado pelo secretário Saulo Santos, afirma que músicos, bandas e grupos culturais terão participação voltada à “valorização e difusão da cultura local”. Na prática, porém, os selecionados precisarão investir recursos próprios para garantir as apresentações.

Entre as exigências previstas no documento estão o fornecimento de equipamentos de som e iluminação, transporte dos materiais e montagem da estrutura necessária para os eventos. Ou seja, além de não receber remuneração, os artistas também terão de assumir os gastos operacionais das apresentações.

Segundo a proposta da gestão municipal, a iniciativa pretende movimentar a economia criativa e ampliar os espaços de divulgação da produção cultural maranhense. Como contrapartida, o edital cita “visibilidade” e possibilidade de futuras oportunidades profissionais para os participantes.

A programação prevê duas apresentações por mês, sempre às quintas-feiras, entre junho e dezembro deste ano. Os eventos devem ocorrer no prédio da Secretaria Municipal da Fazenda, no Centro Histórico de São Luís.

O edital também estabelece prioridade para repertórios ligados à música popular maranhense, manifestações culturais tradicionais e trabalhos autorais produzidos no estado.

A medida provocou repercussão entre artistas, produtores culturais e agentes do setor, principalmente pela ausência de remuneração e pela transferência integral dos custos das apresentações para os músicos participantes.