Uso de celular ao volante já soma mais de 35 mil infrações no Maranhão

Relato de motorista que ficou dias na UTI após acidente reforça alerta do Maio Amarelo sobre distrações no trânsito.
Uso de celular ao volante já soma mais de 35 mil infrações no Maranhão
Maranhão registrou mais de 35 mil infrações por uso de celular ao volante desde 2023 (Foto: Reprodução IA)

Uma rápida olhada no celular foi suficiente para transformar completamente a vida do motorista de aplicativo Manoel Dutra, de 34 anos. Morador de São José de Ribamar, na Região Metropolitana de São Luís, ele sofreu um grave acidente após perder a atenção no trânsito enquanto dirigia. O impacto deixou sequelas físicas e se tornou um retrato do perigo provocado pelo uso do celular ao volante.

“Quando voltei a atenção para o trânsito, já estava em cima de um buraco. Tentei desviar e depois disso tudo apagou”, relembrou Manoel. O carro bateu contra um muro e ele sofreu fraturas na perna, no braço e na clavícula. O motorista só voltou a acordar quatro dias depois, já internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O caso acontece em meio à campanha Maio Amarelo, que reforça ações de conscientização sobre segurança no trânsito em todo o país. O uso do celular durante a condução já aparece entre as principais causas de acidentes no Brasil e ocupa a terceira posição entre os fatores de risco nas vias brasileiras.

No Maranhão, os números revelam a dimensão do problema. Dados do Departamento Estadual de Trânsito do Maranhão (Detran-MA) apontam que 35.925 infrações por uso de celular ao volante foram registradas entre 2023 e fevereiro de 2026. Somente nos dois primeiros meses deste ano, foram contabilizadas 1.961 autuações envolvendo motoristas de carros e outras 197 envolvendo motociclistas.

A fiscalização também se intensificou nas rodovias federais. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), 52 motoristas foram autuados por uso de celular nas estradas federais que cortam o Maranhão nos primeiros meses de 2026, número superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Para o psicólogo e professor da Estácio, Ruy Cruz, o celular deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação e passou a ocupar um espaço emocional na rotina das pessoas, dificultando o controle do impulso de verificar notificações enquanto se dirige.

“O celular nos conecta a redes sociais e a estímulos imediatos de prazer. Existe também o medo constante de perder alguma informação importante enquanto estamos longe do aparelho”, explicou.

Segundo o especialista, cada curtida, mensagem ou notificação recebida provoca uma descarga de dopamina no cérebro, neurotransmissor ligado à sensação de recompensa e prazer. Esse mecanismo faz com que o cérebro enxergue a checagem do celular como algo urgente, mesmo diante do risco de acidentes.

O psicólogo também alerta para o chamado Fear of Missing Out (FOMO), sensação de ansiedade causada pelo medo de estar perdendo alguma informação relevante. Para ele, o comportamento gera um ciclo de dependência emocional e distração contínua no trânsito.

Pelo Código de Trânsito Brasileiro, manusear o celular enquanto dirige é considerado infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A legislação também considera perigosas práticas como o uso de fones de ouvido ou recursos que dividam a atenção do motorista.

Como forma de prevenção, especialistas recomendam silenciar notificações antes de iniciar o trajeto e evitar qualquer interação com o aparelho durante a condução. “Toda mensagem pode esperar. O mais importante é preservar a vida”, reforçou o psicólogo.

Com informações da Ascom Estácio