CNJ quer frear distorções após identificar magistrados com ganhos superiores a R$ 1 milhão

Comissão do CNJ terá seis meses para propor mudanças no sistema remuneratório da magistratura.
CNJ quer frear distorções após identificar magistrados com ganhos superiores a R$ 1 milhão
Presidente do STF, Edson Fachin criou grupo de trabalho para revisar penduricalhos no Judiciário (Foto: Michael Melo)

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, instituiu um grupo de trabalho para analisar os chamados “penduricalhos” pagos a magistrados e elaborar propostas voltadas ao aumento da transparência na remuneração do Judiciário brasileiro.

A iniciativa busca enfrentar distorções salariais identificadas em diferentes tribunais do país e construir um modelo mais claro e uniforme para a divulgação dos vencimentos da magistratura. O relatório final deverá ser apresentado em até 180 dias.

Comissão fará mapeamento dos pagamentos

O grupo terá a missão de realizar um levantamento detalhado de todas as verbas recebidas pelos magistrados, incluindo parcelas remuneratórias e indenizatórias, além de avaliar como esses pagamentos impactam o teto constitucional do funcionalismo público, atualmente fixado em R$ 46,3 mil.

Segundo o CNJ, há registros de situações em que magistrados receberam remunerações superiores a R$ 1 milhão em um único mês, resultado da soma de salários com benefícios, indenizações e pagamentos retroativos.

A proposta é identificar quais verbas possuem respaldo legal, quais são exceções justificadas e quais mecanismos podem estar contribuindo para a superação do limite constitucional.

Medidas ampliam controle sobre remunerações

A criação do grupo de trabalho integra um conjunto de ações adotadas recentemente para ampliar o controle sobre os rendimentos da magistratura.

Em março, o STF definiu critérios mais rígidos para o pagamento de verbas indenizatórias. Já em maio, o CNJ instituiu um modelo nacional de contracheque para magistrados, com informações padronizadas e detalhamento completo dos valores recebidos.

Agora, a nova comissão pretende consolidar um diagnóstico sobre a realidade dos mais de 90 tribunais brasileiros e apresentar alternativas para uma política remuneratória mais transparente e uniforme.

Debate envolverá diferentes instituições

Além de representantes da magistratura, o grupo contará com integrantes do Ministério Público, Defensorias Públicas, Congresso Nacional e Tribunal de Contas da União (TCU). A intenção é ampliar a discussão e evitar que o debate fique restrito ao próprio Judiciário.

Ao anunciar a medida, Edson Fachin afirmou que o objetivo é garantir maior clareza para a sociedade sobre os recursos destinados à remuneração dos magistrados.

“Essa medida é muito importante para a sociedade brasileira e também para a magistratura. Ao final desse trabalho, pretendemos apresentar uma solução estrutural para o sistema remuneratório, permitindo que cada cidadão saiba com nitidez o que recebe e o que paga para o magistrado brasileiro”, declarou o ministro.

A expectativa do CNJ é que o estudo sirva de base para futuras mudanças normativas e legislativas capazes de reduzir distorções e fortalecer a transparência na administração do Poder Judiciário.