A Justiça do Maranhão marcou para o próximo dia 22 de junho, em Imperatriz, o julgamento de Jordélia Pereira Barbosa, acusada de envenenar um ovo de Páscoa que provocou a morte de duas crianças e deixou a mãe delas gravemente intoxicada. O caso será analisado pelo Tribunal do Júri após a conclusão da fase de instrução do processo.
Segundo o Ministério Público do Maranhão (MPMA), a ré responderá por dois homicídios qualificados consumados e uma tentativa de homicídio. A acusação sustenta que o crime foi planejado e executado por motivação passional, relacionada a ciúmes envolvendo o atual companheiro da vítima.
O crime
O caso aconteceu em 16 de abril de 2025, no bairro Mutirão, em Imperatriz. De acordo com a investigação, um ovo de Páscoa foi entregue à residência de Mirian Lira Rocha, de 32 anos, acompanhado de um bilhete com a mensagem: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”.
Após consumirem o chocolate, Mirian e os filhos Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evely Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, passaram mal e precisaram ser internados.

Luiz Fernando morreu no dia seguinte ao consumo do alimento. Já Evely permaneceu internada por vários dias em estado grave, mas não resistiu às complicações provocadas pela intoxicação e morreu em 22 de abril de 2025.
Mirian sobreviveu após permanecer internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e receber atendimento médico especializado.
Investigação aponta planejamento
Conforme a denúncia do Ministério Público, Jordélia Pereira Barbosa, de 35 anos, ex-companheira do atual namorado de Mirian, teria elaborado toda a ação com antecedência.
As investigações apontam que ela utilizou peruca, nome falso e outros artifícios para ocultar sua identidade. O ovo de Páscoa teria sido enviado por meio de um mototaxista contratado para realizar a entrega.
Após o crime, a acusada tentou deixar a região, mas foi presa em flagrante dentro de um ônibus na cidade de Santa Inês.
Durante a prisão, policiais apreenderam objetos considerados importantes para a investigação, incluindo perucas, óculos, crachá falso, passagens de viagem, utensílios domésticos e um recipiente contendo substância tóxica.
Defesa contestou acusações
Durante a audiência de instrução, realizada em agosto, foram ouvidas testemunhas, vítimas e a própria acusada.
A defesa solicitou um exame psicológico para avaliar uma possível inimputabilidade da ré, mas o pedido foi negado pela Justiça por ausência de indícios que justificassem a medida.
Nas alegações finais, os advogados pediram a impronúncia da acusada ou a desclassificação dos crimes para homicídio culposo, argumentando insuficiência de provas e apontando uma suposta confissão parcial.
Já o Ministério Público destacou que laudos periciais, exames toxicológicos, imagens de câmeras de segurança e demais elementos reunidos ao longo da investigação demonstram que o envenenamento foi planejado e executado pela acusada.
A promotoria também sustenta que a morte da mãe das vítimas só não ocorreu devido ao rápido atendimento médico recebido após a ingestão do produto contaminado.
Com a decisão de levar o caso a júri popular, caberá agora aos jurados decidir sobre a responsabilidade da acusada em um dos crimes de maior repercussão registrados no Maranhão nos últimos anos.






