Uma nova rota de transmissão de energia elétrica começa a ganhar forma a partir do Maranhão. Orçada em R$ 18,1 bilhões, a linha Graça Aranha–Silvânia terá aproximadamente 1.500 quilômetros de extensão e atravessará também os estados do Tocantins e de Goiás.
O empreendimento partirá da Subestação Graça Aranha, em território maranhense, e seguirá até a Subestação Silvânia, em Goiás. A estrutura será responsável por transportar grandes volumes de eletricidade produzidos no Norte e no Nordeste para outras regiões do país.
Controlado pela empresa chinesa State Grid, o projeto pretende ampliar a capacidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e reduzir os gargalos enfrentados no escoamento da produção energética.
Expansão das fontes renováveis exige novas linhas
A implantação do corredor ocorre em meio ao avanço dos parques eólicos e solares nas regiões Norte e Nordeste. Embora esse crescimento aumente a oferta de energia renovável, ele também exige uma rede capaz de levar a eletricidade até os principais centros consumidores.
Quando a capacidade das linhas é insuficiente, parte da produção pode sofrer restrições de transmissão. A ligação entre Graça Aranha e Silvânia foi planejada justamente para ampliar essa estrutura e criar uma alternativa de integração com a rede nacional.
Para o Maranhão, a obra fortalece a posição do estado no setor energético. Além de abrigar uma das extremidades do sistema, o território maranhense funcionará como ponto de entrada da energia que seguirá em direção ao Centro-Oeste.
Tecnologia reduz perdas durante o percurso
A linha utilizará corrente contínua em ultra-alta tensão, com voltagem de ±800 quilovolts. Essa tecnologia é indicada para transportar grandes quantidades de energia por trajetos extensos, com redução das perdas elétricas ao longo do caminho.
O sistema permite movimentar grandes blocos de potência entre regiões distantes com maior eficiência. Entretanto, como a rede elétrica brasileira opera principalmente em corrente alternada, são necessárias estações conversoras nas duas extremidades.
Em Graça Aranha, a eletricidade será convertida para entrar na linha de corrente contínua. Em Silvânia, ocorrerá o processo inverso, permitindo que a energia seja distribuída por outras estruturas do Sistema Interligado Nacional.
O projeto também contempla equipamentos de compensação, sistemas de controle e dispositivos destinados a garantir a estabilidade da transmissão.
Projeto avança por diferentes etapas
A Graça Aranha Transmissora de Energia, empresa vinculada à subsidiária brasileira da State Grid, administra o empreendimento. A companhia assumiu o projeto após vencer o lote correspondente em leilão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
As intervenções nas subestações começaram antes da execução da linha principal. Com a licença de instalação concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o empreendimento pode avançar nas estruturas previstas ao longo do trajeto.
Por atravessar três estados e áreas com características ambientais distintas, a implantação envolve frentes simultâneas de engenharia, licenciamento e montagem.
Quando concluída, a Graça Aranha–Silvânia deverá aumentar a segurança do fornecimento, aliviar trechos sobrecarregados da rede e acompanhar o crescimento da geração renovável. Com a obra, o Maranhão passa a integrar um dos maiores corredores de transmissão em implantação no Brasil.






