O Manchester City foi considerado culpado de graves violações dos regulamentos financeiros da Premier League, conforme decisão divulgada nesta terça-feira (29). O clube inglês nega irregularidades e anunciou que recorrerá. O prazo para apresentar o recurso termina em 2 de outubro.
A comissão independente responsável pelo julgamento confirmou todas as acusações relativas às infrações financeiras e três das quatro relacionadas à falta de cooperação com a investigação. Portanto, a decisão abrange a maioria das acusações do processo, conhecido como o caso das 115 acusações.
Comissão aponta receitas infladas e despesas ocultadas
Segundo as conclusões divulgadas pela Premier League, o City utilizou contratos comerciais simulados para apresentar receitas maiores e custos menores do que os efetivamente registrados entre as temporadas 2009/10 e 2017/18.
O mecanismo envolvia patrocinadores que pagavam apenas uma parcela dos valores previstos nos contratos. A diferença era financiada pela Abu Dhabi United Group (ADUG), proprietária do clube, mas aparecia nas contas como receita comercial.
A comissão também identificou acordos que permitiam reduzir artificialmente despesas operacionais e uma operação envolvendo a Fordham, empresa que adquiriu direitos de imagem dos jogadores. Conforme a liga, esses mecanismos alteraram receitas e custos em mais de 900 milhões de libras, criando uma aparência de cumprimento dos limites financeiros.
A conclusão foi de que as contas apresentadas ocultavam a situação financeira do clube de auditores e reguladores. Com os valores corretamente declarados, o City teria ultrapassado os limites de gastos da Premier League e da Uefa.
Manchester City contesta o resultado
Em resposta, o clube afirmou estar desapontado e surpreso com a decisão. A direção manteve a declaração de inocência e alegou possuir provas que sustentam sua defesa.
O City informou que buscará as instâncias de recurso disponíveis por considerar que a decisão contém erros jurídicos e factuais. Também afirmou que continuará defendendo sua posição nos procedimentos regulatórios e legais cabíveis.
Punição ainda será discutida
A divulgação do resultado não definiu a penalidade. A sanção será analisada separadamente, em uma nova audiência da comissão independente, que permanecerá confidencial até que sua publicação seja autorizada. O clube tem até sexta-feira, 2 de outubro, para recorrer.
O processo foi aberto em fevereiro de 2023, após quatro anos de investigação. O julgamento ocorreu entre setembro e dezembro de 2024 e examinou documentos, depoimentos e informações financeiras apresentados pela liga e pelo clube.






