STJD denuncia Bruno Henrique por manipular cartões

Caso seja condenado, atacante do Flamengo pode ser suspenso por até dois anos.
STJD suspende Bruno Henrique por conduta antidesportiva
Atacante Bruno Henrique foi suspenso por 12 jogos (Foto: Mauro Pimentel)

A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou, na noite desta sexta-feira (2), o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, e mais quatro pessoas por envolvimento em um suposto esquema de manipulação de apostas esportivas. O jogador é acusado de forçar cartões amarelos durante partida contra o Santos, pelo Brasileirão de 2023, com o objetivo de beneficiar apostadores.

Segundo a denúncia, Bruno Henrique teria antecipado informações sobre o cartão a pessoas próximas, incluindo seu irmão Wander Nunes Pinto Júnior, que também foi denunciado e é investigado criminalmente pelo Ministério Público do Distrito Federal. O caso é tratado como uma forma de “spot-fixing”, prática em que eventos pontuais de uma partida são manipulados para favorecer apostas, sem necessariamente alterar o resultado do jogo.

O atleta foi enquadrado em quatro artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD):

  • Art. 243 (atuar deliberadamente contra sua equipe com vantagem financeira) – punição: 360 a 720 dias de suspensão;
  • Art. 243-A (ação contrária à ética desportiva para influenciar o jogo) – pena: de 12 a 14 jogos;
  • Art. 184 (infração continuada);
  • Art. 191 (descumprimento de regulamentos).
    Também foi citado o Art. 65 do Regulamento Geral de Competições da CBF.

Conversas e demais envolvidos

A investigação inclui conversas entre Bruno Henrique e seu irmão, em que o jogador indica a partida contra o Santos como o momento para levar o cartão. Nas mensagens, o irmão celebra o suposto “investimento”, sinalizando o uso das informações para fins de aposta. Durante o jogo, realizado no Mané Garrincha (Brasília), Bruno Henrique recebeu cartão amarelo após reclamação com a arbitragem, e logo em seguida foi expulso.

Além de Bruno Henrique e Wander, foram denunciados Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Andryl Reis e Douglas Barcelos, todos com registro como atletas amadores, suspeitos de se beneficiar das informações repassadas. Outras duas pessoas próximas ao jogador também aparecem na investigação como participantes das apostas: Ludymilla Araújo Lima, esposa de Wander, e Poliana Ester Nunes Cardoso, prima de Bruno.

Julgamento e possível punição

A denúncia ainda será avaliada pela primeira instância do STJD, que decidirá se acolhe os artigos indicados. O julgamento ainda não tem data marcada, mas deve ocorrer dentro de 60 dias, conforme prevê o regimento.

Enquanto isso, Bruno Henrique segue em atividade pelo Flamengo e deve entrar em campo neste domingo (4), às 18h30, contra o Ceará, pelo Campeonato Brasileiro.