O delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel foi um dos presos na Operação Zargun, deflagrada nesta quarta-feira (4) em ação conjunta da PF, do Ministério Público Federal (MPF), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil. A ofensiva teve como alvo a facção Comando Vermelho (CV) e resultou na prisão de ao menos 15 pessoas, incluindo o deputado estadual Thiago Raimundo dos Santos Silva (TH Jóias).
Ostentação e conexões
Lotado na unidade da PF no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, Stteel é suspeito de repassar informações à facção criminosa. Enquanto isso, nas redes sociais, exibia uma rotina de luxo.
Recentemente, publicou o pedido de casamento à companheira, a advogada Bruna Karoline. Na ocasião, a noiva exibia um anel confeccionado por TH Jóias, suplente da Assembleia Legislativa do Rio e apontado como um dos principais alvos da investigação. Na legenda, o delegado escreveu: “diamantes para sempre”, agradecendo publicamente ao parlamentar.
As postagens também revelavam viagens para destinos como Nova York, Bariloche e Angra dos Reis, além de acessórios de grife: óculos Louis Vuitton, Gucci e Oakley, relógios Rolex avaliados em cerca de R$ 100 mil e bebidas de alto padrão, como vinhos da Famille Perrin e espumantes da Bottega.
Reconhecimento público
Apesar das suspeitas, Stteel acumulava homenagens oficiais. Em 2022, recebeu a medalha Getúlio Vargas, concedida pela Câmara de Volta Redonda, e, em março de 2025, foi alvo de moção de aplausos na Câmara de Nilópolis, por “compromisso e dedicação na condução das atividades de segurança, fiscalização e combate ao crime no âmbito aeroportuário”.
Operação Zargun
A Operação Zargun cumpriu 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão. Entre os presos está também Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, acusado de movimentar R$ 120 milhões em cinco anos como braço direito de Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, líder do Comando Vermelho no Complexo do Alemão. Segundo as investigações, ele atuava como tesoureiro da facção e pagava policiais para proteger integrantes do grupo.
O procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira, afirmou que TH Jóias foi eleito para atuar em benefício direto do Comando Vermelho.
“O parlamentar foi eleito para, valendo-se do mandato, beneficiar a organização criminosa. Antes de entrar para a política, ele já integrava o Comando Vermelho, inclusive com condenação por envolvimento”, declarou.
Com informações de Walter Farias – O Globo






