Anvisa aprova primeiro concorrente nacional do Ozempic após fim da patente no Brasil

Medicamento da EMS à base de semaglutida abre nova disputa no mercado das chamadas “canetas emagrecedoras”.
Anvisa aprova primeiro concorrente nacional do Ozempic após fim da patente no Brasil
Anvisa aprova Ozivy, primeiro concorrente nacional do Ozempic após fim da patente da semaglutida (Foto: Freepik)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o registro do Ozivy, medicamento produzido pela EMS à base de semaglutida. A decisão representa a primeira autorização concedida a um concorrente nacional da substância após o fim da patente da Novo Nordisk no Brasil.

A semaglutida é o princípio ativo dos medicamentos Ozempic, utilizado no tratamento do diabetes tipo 2, e Wegovy, aprovado para tratamento da obesidade.

Desde o encerramento da exclusividade da patente, em março deste ano, farmacêuticas passaram a disputar espaço em um mercado bilionário impulsionado pela alta procura pelas chamadas “canetas emagrecedoras”.

Produto passou por análise rigorosa da Anvisa

O Ozivy foi aprovado pela Anvisa na categoria de “medicamento novo”, utilizando um modelo regulatório chamado desenvolvimento abreviado.

Esse tipo de registro é utilizado para produtos baseados em substâncias já conhecidas, mas que ainda precisam comprovar qualidade, segurança e eficácia perante a agência reguladora.

A aprovação ocorre após meses de avaliação técnica. Em abril, alguns pedidos envolvendo medicamentos à base de semaglutida chegaram a ser negados pela Anvisa devido a falhas documentais e ausência de comprovação de requisitos técnicos.

Segundo a publicação oficial, o Ozivy foi autorizado em versões de solução injetável subcutânea, acompanhadas de canetas aplicadoras e agulhas.

Mercado vive corrida pela semaglutida

O registro do Ozivy marca um passo importante na disputa da indústria farmacêutica pelo mercado da semaglutida no Brasil.

Levantamentos apontam que ao menos 17 pedidos relacionados à substância estavam em análise na Anvisa desde 2023, antecipando a corrida comercial após o fim da patente.

De acordo com a própria agência, os medicamentos passam por uma avaliação rigorosa devido à complexidade da molécula.

Entre os pontos analisados estão estudos de imunogenicidade, controle de impurezas e mecanismos capazes de detectar pequenas alterações estruturais na substância.

“O que estamos falando é de um produto que está na fronteira entre um sintético e um biológico”, afirmou anteriormente Raphael Sanches, gerente-geral de medicamentos da Anvisa.

Entrada de concorrentes pode reduzir preços

A expectativa do mercado é que o aumento da concorrência provoque queda gradual nos preços dos medicamentos à base de semaglutida nos próximos anos.

Isso ocorre porque, apesar do fim da patente, a substância não permite a produção de genéricos tradicionais devido à sua complexidade molecular.

Os novos fabricantes precisam seguir processos regulatórios próprios e comprovar segurança, eficácia e qualidade.

O Ministério da Saúde avalia que a entrada de novos laboratórios poderá ampliar o acesso aos tratamentos futuramente.

A própria Novo Nordisk já iniciou movimentos comerciais para preservar participação no mercado, incluindo ajustes de preços e estratégias promocionais envolvendo medicamentos como Wegovy e Rybelsus.

Lançamento ainda não tem data

Apesar da aprovação regulatória, a EMS ainda não divulgou quando o Ozivy chegará às farmácias.

Antes do lançamento comercial, a empresa ainda precisa concluir etapas ligadas à definição de preços, produção em escala e distribuição do medicamento.