A defesa da família de Ágatha Isabelly e Allan Michael, irmãos desaparecidos há oito meses em Bacabal, informou que ferramentas de cooperação internacional poderão ser utilizadas nas buscas pelas crianças. A movimentação, segundo a advogada Nathaly Moraes, foi comunicada nesta terça-feira (8) pelo Núcleo de Cooperação Internacional.
A informação exige uma ressalva: não há, até o momento, comunicado público da Polícia Federal ou da Interpol confirmando formalmente que a organização passou a atuar na investigação. Também não foi localizado registro dos irmãos na página pública de pessoas desaparecidas da Interpol.
O contato relatado pela advogada teria partido do núcleo de cooperação, e não diretamente da sede internacional da organização. A atuação da Interpol no Brasil ocorre por intermédio da Polícia Federal, que funciona como escritório central nacional da instituição.
Reunião deverá definir alcance da cooperação
Uma reunião foi marcada para as 9h desta quarta-feira (9), na sede da Polícia Federal. A defesa deverá conversar com representantes do núcleo para entender quais mecanismos poderão ser empregados na localização e identificação das crianças.
De acordo com Nathaly Moraes, as ferramentas também podem ser utilizadas em uma eventual repatriação, caso Ágatha e Allan sejam encontrados fora do Brasil.
A advogada declarou que havia solicitado anteriormente a transferência da investigação da Polícia Civil para a Polícia Federal, por considerar a possibilidade de tráfico de pessoas. Conforme seu relato, o pedido não avançou naquele momento porque não existiam indícios suficientes de envolvimento internacional.
A eventual disponibilização de canais da Interpol, por si só, não confirma a hipótese de tráfico humano nem significa que a Polícia Federal tenha assumido integralmente a investigação.
Não há confirmação sobre crianças localizadas nos EUA
A nova movimentação ocorre depois que imagens de crianças encontradas nos Estados Unidos começaram a circular nas redes sociais acompanhadas da alegação de que poderiam ser Ágatha e Allan. A informação não foi confirmada pelas autoridades brasileiras ou norte-americanas.
Em agosto, a Operação Statewide Shield localizou 163 crianças desaparecidas. Coordenada por autoridades da Flórida, a ação alcançou diferentes regiões dos Estados Unidos e casos relacionados a outros países. As vítimas tinham entre dois meses e 17 anos e algumas enfrentavam situações de abuso, negligência ou exploração.
Não existe evidência pública de que os irmãos maranhenses estejam entre os menores localizados. A defesa afirma que procurou o consulado brasileiro e que um representante acompanha o processo de identificação, mas esse contato também não foi detalhado oficialmente pelo Ministério das Relações Exteriores.
Nathaly classificou como sensacionalistas as páginas que divulgaram a suposta identificação das crianças como fato consumado. Segundo ela, a família aguarda informações dos órgãos responsáveis antes de reconhecer qualquer imagem ou confirmar uma nova linha investigativa.
Irmãos desapareceram em janeiro
Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, desapareceram em 4 de janeiro de 2026, depois de saírem para brincar nas proximidades da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal.
Buscas foram realizadas na região, mas não esclareceram o paradeiro dos irmãos. A Polícia Civil permanece responsável pela apuração no Maranhão.
Até que a reunião com a Polícia Federal ocorra ou seja divulgada uma manifestação institucional, o que está confirmado é apenas o relato da defesa sobre a oferta de ferramentas de cooperação. Não há confirmação de que a Interpol tenha aberto uma operação própria nem de que Ágatha e Allan tenham sido localizados nos Estados Unidos.






