Fechamento de empresas mais que dobra no Maranhão em cinco anos

Estado abriu 275,6 mil negócios entre 2021 e 2025, mas quantidade de baixas anuais saltou de 15.230 para 34.037 no período.
Fechamento de empresas mais que dobra no Maranhão em cinco anos
Fechamentos de empresas mais que dobraram no Maranhão entre 2021 e 2025, apesar do saldo positivo de novos negócios (Foto: Divulgação)

O Maranhão manteve saldo positivo na criação de empresas entre 2021 e 2025, mas o avanço no número de negócios fechados acende um sinal de alerta. Dados da Junta Comercial do Estado do Maranhão (Jucema) mostram que 119.799 empresas encerraram as atividades no período.

Em 2021, foram registradas 15.230 baixas empresariais. Quatro anos depois, esse número chegou a 34.037 — crescimento superior a 100%.

No mesmo intervalo, 275.693 novas empresas foram abertas no estado. Ao todo, a Jucema contabilizou 395.492 movimentações, considerando aberturas e encerramentos. Os novos negócios corresponderam a 69,71% do total, enquanto as baixas representaram 30,29%.

Saldo continua positivo

Apesar do aumento dos fechamentos, o Maranhão terminou todos os anos analisados com mais empresas abertas do que encerradas.

Em 2021, o estado registrou 51.469 novos negócios e 15.230 baixas. Já em 2025, foram 65.986 aberturas contra 34.037 encerramentos, deixando um saldo positivo de 31.949 empresas.

A tendência continuou no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, 47.835 empresas foram criadas e 22.267 fecharam as portas. A diferença foi positiva em 25.568 negócios.

Os números mostram expansão do ambiente empresarial, mas também revelam que uma parcela crescente dos empreendimentos não consegue permanecer em atividade.

Falta de planejamento ameaça novos negócios

Para o contador e professor Rafael Fontenele, a falta de preparação antes da abertura está entre os principais fatores que levam uma empresa a fechar.

“Muitos pensam que fechar a empresa é uma questão de crise ou falta de sorte, mas, na verdade, o vilão é a falta de preparo antes de abrir a porta”, afirma.

Parte dos empreendedores começa a trabalhar por necessidade ou diante de uma oportunidade passageira, sem calcular quanto precisa vender para manter a operação.

Esse cálculo deve considerar aluguel, salários, energia, impostos, fornecedores e outras despesas. A partir dele, o empresário consegue identificar o ponto de equilíbrio: o faturamento mínimo necessário para pagar as contas sem registrar prejuízo.

Sem esse controle, uma empresa pode ter clientes e movimentação diária, mas continuar operando no vermelho.

Falta de capital de giro compromete empresas

Outro problema recorrente é a ausência de capital de giro, reserva usada para manter o negócio durante períodos de vendas menores ou diante de despesas inesperadas.

Segundo Fontenele, muitos empresários procuram empréstimos somente quando o caixa já está comprometido. Nesse estágio, o crédito pode não ser suficiente para reorganizar as finanças e ainda acrescentar novas parcelas ao orçamento.

A recomendação é formar uma reserva capaz de cobrir de três a seis meses das despesas fixas antes de ampliar a empresa ou realizar investimentos maiores.

Faturamento não é lucro

Confundir faturamento com lucro também pode desorganizar as contas. Nem todo o dinheiro que entra pertence ao empresário: primeiro é necessário pagar fornecedores, funcionários, tributos e os demais custos da operação.

Retirar recursos do caixa para cobrir gastos particulares compromete o funcionamento da empresa. Por isso, a orientação é separar as finanças pessoais das empresariais e estabelecer um pró-labore mensal.

“O dinheiro do caixa da empresa não é para pagar as contas pessoais do proprietário”, resume Fontenele.

O preço dos produtos e serviços também precisa considerar todos os custos e a margem necessária para manter o negócio. Vender muito não garante lucro quando os valores cobrados não cobrem a operação.

Gestão profissional reduz riscos

O acompanhamento frequente do fluxo de caixa permite identificar despesas excessivas, períodos de menor faturamento e necessidade de ajustar preços antes que o problema se torne difícil de controlar.

O contador também pode participar desse processo para além das obrigações tributárias, auxiliando na organização financeira, na análise dos custos e na escolha do enquadramento fiscal mais adequado.

Planejamento, capital de giro e separação das contas não eliminam todos os riscos, mas aumentam as chances de uma empresa atravessar os primeiros anos — justamente o período mais delicado para a consolidação de um novo negócio.

Com informações da Ascom Cores Comunicação