O Maranhão realizou 62 transplantes de córnea em julho, o maior número registrado em um único mês desde a criação da Central Estadual de Transplantes (CET-MA), há 25 anos. O avanço ocorreu em meio à redução da fila pelo procedimento, que caiu de mais de 800 pacientes, há cerca de quatro anos, para 182 em 2026 — o menor patamar da série histórica.
Ao longo deste ano, o estado também alcançou a marca de 300 transplantes de córnea. A expectativa da Central é chegar à chamada fila zero até novembro, situação em que os pacientes com indicação para o procedimento deverão ser atendidos em até 60 dias, prazo estabelecido como referência pelo Ministério da Saúde.
Os resultados fazem parte do Plano de Aceleração de Transplantes, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) por meio da CET-MA.
Rede de captação foi ampliada
Entre as medidas adotadas está a ampliação do número de centros responsáveis pela captação de córneas, que passou de um para cinco. O fluxo da fila de transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS) também foi reorganizado.
Segundo o coordenador da CET-MA, Hiago Bastos, as mudanças incluíram ainda a implantação de um programa permanente de capacitação das equipes responsáveis pela coleta dos tecidos, triagem dos possíveis doadores e abordagem das famílias.
“Nós aumentamos de um para cinco centros captadores de córnea, organizamos o fluxo da fila de transplantes no SUS, iniciamos um programa de educação continuada e treinamento das equipes para captação, triagem e entrevista familiar para doação de tecidos oculares e padronizamos também os critérios de triagem dos pacientes”, explicou.
A uniformização dos protocolos também buscou evitar o descarte de córneas que poderiam ser utilizadas. Conforme a Central de Transplantes, houve redução de 30% nas invalidações de potenciais doadores por critérios clínicos relacionados à suspeita de infecção grave no intervalo de um mês.
No mesmo período, a fila de espera pelo transplante diminuiu 28%. A Central atribui o resultado à combinação entre treinamento das equipes, revisão dos critérios de triagem e crescimento do número de doadores efetivos.
Recusa familiar permanece como obstáculo
Apesar do aumento dos procedimentos, a negativa das famílias ainda é apontada como o principal entrave para ampliar a quantidade de doações de órgãos e tecidos no Maranhão.
A autorização dos familiares é indispensável para que a doação seja realizada. Por isso, a CET-MA pretende intensificar atividades educativas em escolas, universidades, igrejas e outros espaços comunitários de municípios das diferentes regiões do estado.
A proposta é incentivar as pessoas a manifestarem aos familiares o desejo de se tornarem doadoras. Como a decisão final cabe à família, uma conversa prévia pode facilitar a autorização no momento do óbito.
Quem pode doar córneas
Podem ser doadoras de córneas pessoas falecidas com idade entre 2 e 80 anos que não apresentem doenças infectocontagiosas transmissíveis nem doença oncológica em atividade. A retirada do tecido somente ocorre após a autorização familiar.
Ao contrário da doação de órgãos sólidos, a doação de tecidos oculares não depende da confirmação de morte encefálica. Pessoas que morreram em decorrência de trauma, acidente vascular cerebral (AVC), infarto ou outras causas também podem se tornar doadoras, desde que atendam aos critérios clínicos.






