O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um relatório da Polícia Federal sobre mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
No despacho enviado nesta segunda-feira (31), Mendonça estabeleceu prazo de cinco dias para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifeste sobre o conteúdo. O ministro é relator das investigações relacionadas às suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco.
As mensagens indicariam que Vorcaro procurou o ministro Alexandre de Moraes antes da operação que resultou em sua primeira prisão, em novembro de 2025. O material ainda está sob análise e, até o momento, não há conclusão pública de que Moraes tenha adotado alguma providência em favor do banqueiro.
Mensagem menciona Gonet e diretor-geral da PF
Em um dos registros atribuídos a Vorcaro, o empresário afirma precisar da “proteção” de Andrei e Paulo. A Polícia Federal interpreta os nomes como referências ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e a Paulo Gonet.
Outra mensagem indica uma tentativa de adiar uma medida que poderia afetar o funcionamento do Banco Master. O banqueiro teria pedido que Andrei fosse procurado e “sensibilizado” para postergar a ação por alguns dias.
O conteúdo teria sido enviado aproximadamente uma semana antes da prisão de Vorcaro. A manifestação solicitada por Mendonça permitirá que a PGR apresente sua avaliação antes de uma nova decisão do relator.
PF identificou Moraes como interlocutor
Inicialmente, os investigadores sabiam que os textos estavam armazenados no aparelho de Vorcaro, mas não haviam identificado com segurança quem recebera o conteúdo. Mendonça pediu que a Polícia Federal aprofundasse a análise.
Segundo as informações divulgadas sobre o relatório, a PF concluiu que Alexandre de Moraes era o interlocutor. Parte dos registros teria sido enviada por meio de capturas de tela e mensagens configuradas para desaparecer depois da visualização.
Em outro trecho atribuído ao banqueiro, Vorcaro questiona se seria possível “reverter” a situação com Gonet ou Andrei. A iniciativa registrada nas mensagens é atribuída ao empresário, mas o material conhecido publicamente não demonstra se Moraes intercedeu junto às autoridades citadas.
Conversas teriam ocorrido antes da prisão
Na manhã do dia em que foi preso pela primeira vez, Vorcaro também teria perguntado a Moraes se havia alguma novidade e se ele conseguira obter informações ou “bloquear” a medida.
O ministro teria respondido, mas o conteúdo não pôde ser recuperado porque três mensagens seguintes estavam configuradas para visualização única. Investigadores também teriam identificado registros de ligações entre os dois.
Vorcaro foi detido na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para viajar em uma aeronave particular com destino a Dubai e escala prevista em Malta.
Possível vazamento permanece sob apuração
A PF investiga como Vorcaro soube antecipadamente do inquérito relacionado à venda de carteiras de crédito consideradas fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).
O conhecimento prévio demonstrado nas conversas levantou suspeitas de vazamento da operação, mas ainda não permite apontar quem teria repassado as informações. Também são investigados indícios de acessos ilegais a sistemas da Polícia Federal e do Ministério Público.
A eventual participação de autoridades ou de terceiros na transmissão dessas informações dependerá do aprofundamento das apurações. Não há, no material divulgado, conclusão de responsabilidade de Alexandre de Moraes, Paulo Gonet ou Andrei Rodrigues.
Contrato com escritório de advocacia
Outro ponto citado no caso é o contrato firmado pelo Banco Master com o escritório comandado pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
O acordo, assinado em janeiro de 2024, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões e poderia alcançar R$ 129 milhões. Segundo informações divulgadas pela imprensa, cerca de R$ 80 milhões foram pagos antes da interrupção do contrato.
O escritório confirmou anteriormente a prestação dos serviços e sustentou que não havia impedimento legal na contratação. A existência do contrato, por si só, não comprova interferência do ministro nas investigações envolvendo o banco.
Agora, caberá à PGR avaliar o relatório encaminhado por André Mendonça. Depois da manifestação, o relator poderá decidir se determina novas diligências ou se adota outras providências no inquérito.






