Uma sequência de sérias revelações repercutiu nos bastidores do Judiciário e da política em Brasília, nesta terça-feira, 1º. Mensagens de WhatsApp, registros de voos e contratos milionários obtidos em investigações da Polícia Federal (PF) lançaram luz sobre a intrincada relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O que começou como uma apuração financeira desdobrou-se em um dos episódios mais ruidosos da corte. Acompanhe, passo a passo, a linha do tempo que expõe essa controversa rede de conexões.
A cronologia dos fatos: do contrato milionário aos cartões sem limites
1. O contrato de R$ 131 milhões e a atuação direta
Tudo começou com a descoberta de um contrato de prestação de serviços jurídicos no valor de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Trocas de mensagens e registros apontam que o próprio ministro Alexandre de Moraes teria analisado e chegado a editar minutas do contrato. Nas conversas de Vorcaro, a parceria era tratada com prioridade absoluta: “É o mais importante”, ressaltou o banqueiro.
2. Cartões de R$ 300 mil para os filhos do ministro
Em uma das mais recentes revelações, mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que, em outubro de 2025, o administrador do escritório de Viviane procurou o banqueiro para solicitar cartões de crédito. A superintendente do Banco Master consultou Vorcaro:
“O Guilherme que trabalha com a dra. Viviane me ligou para emitir cartão para os filhos dela… limite de 300 pra cada… posso seguir?”.
O banqueiro respondeu prontamente com um curto e decisivo “Ok”, liberando cartões com limite de R$ 300 mil cada para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do magistrado.

3. Aeronaves, ‘Dívida de Vida’ e mordomias ‘ultra vIP’
O fluxo de gentilezas e transações milionárias não parou por aí:
- Transferência de aeronaves: Documentos indicam tentativas e negociações para quitar até R$ 50 milhões em honorários jurídicos com a transferência de cotas de jatos executivos.
- Encontros frequentes: A Polícia Federal mapeou pelo menos 9 encontros diretos entre o ministro e o banqueiro, além do custeio de viagens e logística para autoridades.
- Tratamento VIP: Em mensagens, Vorcaro exigia atendimento “ultra VIP” para o ministro e declarava categoricamente ter uma “dívida de vida” com Moraes.
4. O pânico da prisão: “2ª tenho que estar fora?”
Conforme os cercos judiciais e operacionais se fechavam, o tom das mensagens mudou dramaticamente. Um dia antes de sua prisão, Vorcaro recorreu aflito a Alexandre de Moraes, questionando sobre o risco iminente e a necessidade de fuga: “2ª tenho que estar fora?”. Na mesma ocasião, o banqueiro ainda pediu ajuda ao ministro para intermediar um encontro com Gabriel Galípolo e solicitou proteção contra investidas dos órgãos de controle.
Os desdobramentos no STF e na PGR
Diante da gravidade das mensagens e dos relatórios apresentados pela Polícia Federal, a crise institucional se instalou no Supremo Tribunal Federal.
O ministro André Mendonça concedeu um prazo de 5 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os pedidos de intercessão feitos por Vorcaro a Moraes. Além disso, a inclusão do nome de Alexandre de Moraes na investigação formal passa a ser avaliada, pressionando o ministro no centro do maior furacão político-judiciário do momento.
Bate-boca entre Moraes e Mendonça no STF
Segundo a coluna de Andreza Matais, discussão ocorreu após Mendonça mandar a PF aprofundar a apuração sobre mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master. Ministros quase chegaram às vias de fato, conforme a colunista do Metrópoles.






