A disputa trabalhista entre o Sampaio Corrêa e o ex-vice-presidente e ex-diretor jurídico Perez Silva da Paz seguirá para a fase de produção de provas. A audiência de conciliação realizada nessa terça-feira (28) terminou sem acordo entre as partes.
Após a tentativa frustrada de entendimento, a Justiça abriu prazo para que Perez se manifeste sobre a defesa e os documentos apresentados pelo clube. A data da audiência de instrução, etapa em que poderão ser ouvidas testemunhas e analisadas novas provas, ainda será definida.
Advogando em causa própria, o ex-dirigente cobra R$ 613.255,52 do Sampaio. A reclamação trabalhista foi apresentada em junho e pede o reconhecimento da relação de emprego desde 5 de junho de 2017, além da rescisão indireta do contrato.
A cobrança reúne salários que Perez afirma não ter recebido, férias, décimos terceiros, aviso-prévio, depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), multa de 40% e outras parcelas.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Perez Paz disse que está disposto a usar integralmente o crédito que tem a receber para pagar a taxa de R$ 300,00 que o clube impôs aos sócios do Sampaio Corrêa. “Com o objetivo de excluir aqueles que são favoráveis a mim”, frisou o ex-dirigente.
“Mas, independentemente da disputa que estamos travando dentro do Sampaio Corrêa, eu sou um trabalhador. Tinha carteira assinada e trabalhei durante cerca de nove anos no clube”, concluiu.
Ex-dirigente questiona registro salarial
Na ação, Perez sustenta que começou a prestar serviços como advogado do clube com remuneração mensal de R$ 3 mil. O valor teria aumentado ao longo dos anos até chegar a R$ 15 mil em 2022.
Ele afirma que a carteira de trabalho foi assinada somente naquele ano, com salário registrado de R$ 6 mil. Para o ex-dirigente, a anotação não correspondia à remuneração efetivamente recebida.
Perez argumenta que o exercício dos cargos de diretor jurídico e vice-presidente não eliminou a relação de emprego, pois teria continuado responsável pelas atividades jurídicas cotidianas da instituição.
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Sampaio nega existência de vínculo
O Sampaio Corrêa contesta as alegações e sustenta que os cargos ocupados por Perez eram de natureza diretiva, sem vínculo empregatício. Segundo a defesa tricolor, o encerramento da audiência sem acordo já era esperado.
O presidente do clube, Sergio Frota, classificou a cobrança como injustificável.
“Nenhum diretor do Sampaio tem carteira assinada, nunca teve. O que existe é uma verba de representatividade, e nada com vínculo empregatício. E, a propósito, quem se diz boliviano de verdade não entraria com uma ação trabalhista de R$ 600 mil, com o único intuito de sangrar os cofres do clube. Isso diz muito sobre os interesses dele”, declarou.
Pedidos preliminares foram rejeitados
No início da tramitação, Perez pediu que a ação fosse mantida sob segredo de justiça. A juíza do Trabalho substituta Gabrielle Amado Boumann, entretanto, negou a solicitação.
Também foi indeferido o pedido para liberação imediata do FGTS e das guias do seguro-desemprego. A magistrada entendeu que a natureza da relação entre Perez e o Sampaio deverá ser esclarecida após a manifestação do clube e a produção de provas.
Essas decisões são preliminares e não significam que a Justiça rejeitou ou reconheceu os valores cobrados. O mérito da reclamação trabalhista ainda não foi julgado.
Rompimento também gerou disputa na Justiça estadual
A ação trabalhista ocorre após o rompimento político e administrativo entre Perez e o Sampaio. O ex-dirigente foi desligado do quadro social por decisão do Conselho Deliberativo, tomada durante uma assembleia extraordinária.
Segundo o clube, a medida foi motivada por atos considerados prejudiciais à imagem e aos interesses da instituição. Perez recorreu, mas o desembargador Paulo Velten manteve os efeitos da deliberação do conselho.
O conflito relacionado ao quadro social tramita na Justiça estadual e não se confunde com a reclamação trabalhista de R$ 613 mil.
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