Vereador de Timon acusado de mandar matar empresário em Matões é preso pela PRF no Piauí

Kaká do Frigo Sá estava foragido e foi capturado em Campo Maior após mandado expedido pelo TJMA.
Vereador de Timon acusado de mandar matar homem em Matões é preso pela PRF no Piauí
Kaká do Frigo Sá é investigado de ser mandante de um homicídio (Foto: Reprodução)

O vereador de Timon Luís Carlos, conhecido como Kaká do Frigo Sá, foi preso neste sábado (30) no município de Campo Maior, no Piauí. A captura foi realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).

O parlamentar é investigado por suposto envolvimento no assassinato do empresário Antônio de Pádua Cunha Santos, de 38 anos, morto a tiros em janeiro de 2023 no povoado São Severino, zona rural de Matões. Segundo as investigações conduzidas pela Superintendência Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), ele figura entre os três supostos mandantes do crime. Os outros investigados são Gildásio da Silva Sá, irmão de Kaká, e um primo deles, Gilfran Sá.

Os primos Gildásio e Gilfran são investigados como mandantes do crime (Foto: Reprodução)

De acordo com a Polícia Civil, a motivação estaria relacionada à suspeita levantada pelo vereador de que Antônio de Pádua teria participado da morte de seu cunhado, conhecido como Carlinhos. No entanto, a investigação aberta à época não encontrou elementos que comprovassem o envolvimento da vítima nesse caso.

Ainda segundo os investigadores, o homem citado como cunhado possuía parentesco tanto com a vítima quanto com o parlamentar.

Operação já havia prendido executores do crime

Em agosto de 2025, a Polícia Civil deflagrou uma operação para cumprir mandados relacionados ao homicídio. Na ocasião, foram presos um dos supostos mandantes e três investigados apontados como executores da ação criminosa. As prisões ocorreram nos municípios de Timon, no Maranhão, e em Ulianópolis e Dom Eliseu, no Pará.

As investigações apontam que os mandantes teriam pago cerca de R$ 100 mil para viabilizar o assassinato. Entre os envolvidos estariam um pistoleiro, um responsável pela logística e apoio aos executores e o autor dos disparos.

Durante a operação, os policiais apreenderam 12 armas de fogo, incluindo armamentos de uso restrito e de grosso calibre, como metralhadoras e carabinas. Parte do arsenal foi encontrada em uma fazenda que, segundo a polícia, teria servido como ponto de encontro para o planejamento do crime e local onde um veículo com vestígios de sangue da vítima teria sido lavado.

Armamento apreendido na época da operação (Foto: Divulgação)

Também foram apreendidas munições, acessórios bélicos e documentos considerados relevantes para a investigação. Em uma agenda encontrada no imóvel, os policiais localizaram anotações que, segundo a corporação, reforçam ligações entre investigados e um dos executores apontados no inquérito.

Processo seguiu após habeas corpus

O caso ganhou repercussão em janeiro deste ano, quando Kaká do Frigo Sá obteve habeas corpus e passou a responder ao processo em liberdade. A decisão permitiu seu retorno às atividades legislativas na Câmara Municipal de Timon e provocou protestos de familiares da vítima.

Em abril, a Justiça deu prosseguimento à ação penal com a realização das audiências de instrução e julgamento, fase destinada à oitiva de testemunhas e produção de provas.

Até o momento, a defesa do vereador não se manifestou sobre a nova prisão. Em janeiro deste ano, após obter habeas corpus, Kaká do Frigo Sá publicou uma nota nas redes sociais na qual afirmou confiar na Justiça e negou envolvimento no crime. Na manifestação, declarou que teria a oportunidade de comprovar sua inocência ao longo do processo e afirmou permanecer à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

As investigações seguem em andamento. A Polícia Civil analisa dispositivos eletrônicos, documentos e laudos periciais para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer todos os detalhes da execução do empresário Antônio de Pádua.