Prefeito de Igarapé Grande será julgado por morte de policial em vaquejada

João Vitor Xavier admite os disparos, mas sustenta que agiu em legítima defesa
Prefeito de Igarapé Grande será julgado por morte de policial em vaquejada
João Vitor Xavier é acusado de matar PM em vaquejada (Foto: Reprodução)

O prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier (PDT), será submetido a júri popular pela morte do policial militar Geidson Thiago da Silva dos Santos, de 39 anos. O crime aconteceu em julho de 2025, durante uma vaquejada realizada em Trizidela do Vale, no interior do Maranhão.

A decisão de pronúncia foi proferida pelo juiz Luiz Emílio Braúna Bittencourt Júnior, titular da 2ª Vara da Comarca de Pedreiras. O magistrado concluiu que existem provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri.

A medida não representa uma condenação. Durante o julgamento, caberá aos jurados decidir se o prefeito cometeu o homicídio e avaliar a tese de legítima defesa apresentada por seus advogados. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.

Justiça mantém qualificadoras

João Vitor será julgado por homicídio qualificado. A Justiça manteve as circunstâncias apontadas pelo Ministério Público de motivo fútil e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.

O processo também inclui acusação relacionada ao porte ilegal de arma de fogo. A defesa pediu que esse delito fosse analisado separadamente e possivelmente absorvido pelo homicídio, mas o juiz entendeu que não seria possível tomar essa decisão antes do julgamento.

O magistrado considerou o relato do próprio acusado de que ele já carregava a arma quando começou a discussão. Em depoimento durante a investigação, João Vitor também teria afirmado que estava com o armamento havia cerca de dois anos.

A data do júri ainda não foi definida. Existe a possibilidade de o Ministério Público solicitar o desaforamento, mecanismo que permite transferir o julgamento para outra comarca quando estiverem presentes os requisitos estabelecidos pela legislação. São Luís aparece como uma das possíveis cidades, mas não há decisão sobre eventual mudança.

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Discussão teria começado por causa de farol

Segundo a denúncia, o crime aconteceu em 6 de julho de 2025, durante o encerramento de uma vaquejada no Parque Maratá. O policial, que estava de folga, teria pedido ao prefeito que diminuísse a intensidade dos faróis de um veículo, dando início a uma discussão.

Imagens de segurança mostram um homem apontado como João Vitor caminhando até um carro, aparentemente buscando um objeto, antes de retornar ao local onde estava o grupo. As câmeras, entretanto, não registraram o momento exato dos disparos.

Para a acusação, o prefeito atirou quando o policial estava de costas, impedindo uma reação. A defesa apresenta uma versão diferente: afirma que Geidson teria agredido João Vitor e sacado uma pistola antes dos tiros.

O prefeito apresentou-se à Polícia Civil no dia seguinte e admitiu ter efetuado os disparos, mas declarou que agiu para proteger a própria vida. Posteriormente, teve a prisão preventiva decretada e chegou a ficar detido.

O Tribunal de Justiça do Maranhão autorizou que João Vitor respondesse ao processo em liberdade, mediante uso de tornozeleira eletrônica e cumprimento de outras medidas cautelares. Essas restrições foram mantidas na decisão que encaminhou o caso ao Tribunal do Júri.