Chefe de esquema que movimentou R$ 440 milhões com falsos investimentos segue foragido

Polícia Civil afirma que grupo fez mais de 300 vítimas, e empresa investigada teve atividades suspensas por decisão judicial.
Chefe de esquema que movimentou R$ 440 milhões com falsos investimentos segue foragido
"Chico Trader" é considerado foragido pela Polícia Civil (Foto: Divulgação)

O homem apontado pela Polícia Civil como líder da organização criminosa investigada por aplicar golpes por meio de falsas operações na Bolsa de Valores continua foragido. A informação foi confirmada pelo delegado Luciano Alcântara, responsável pelas investigações conduzidas pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).

A atualização ocorre um dia após a segunda fase da Operação Extrema Confiança, deflagrada no Maranhão e no Piauí para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do grupo suspeito de movimentar cerca de R$ 440 milhões em aproximadamente dois anos e meio.

Segundo a investigação, mais de 300 pessoas foram vítimas do esquema, que prometia altos rendimentos financeiros por meio de supostos investimentos.

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Principal investigado está desaparecido

De acordo com a Polícia Civil, Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como “Chico Trader”, é considerado o principal articulador da organização criminosa e possui mandado de prisão em aberto.

O delegado Luciano Alcântara informou que o investigado chegou a prestar depoimento por videoconferência em 2025, afirmando que estava à disposição das autoridades. No entanto, posteriormente surgiram informações de que ele estaria em Ciudad del Este, no Paraguai. Desde então, seu paradeiro é desconhecido.

Conforme a polícia, ele é considerado foragido desde o início deste ano.

Mais de 300 vítimas e prejuízos milionários

As investigações apontam que o golpe atingiu mais de 300 investidores. Entretanto, pouco mais de 100 vítimas procuraram oficialmente a Polícia Civil para prestar depoimento.

Segundo o delegado, parte dos investidores conseguiu retirar recursos antes do colapso do esquema, enquanto outros desistiram de formalizar a denúncia por terem perdido valores menores ou por vergonha de admitir que haviam sido enganados.

Entre os depoimentos já colhidos, uma das vítimas afirmou ter investido aproximadamente R$ 1 milhão, o maior prejuízo individual identificado até o momento.

Apesar disso, a Polícia Civil acredita que os valores podem ser ainda maiores, já que continua analisando movimentações financeiras obtidas após a quebra do sigilo bancário da empresa investigada.

Prisões no Maranhão

Na segunda fase da Operação Extrema Confiança, equipes da Polícia Civil cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão nas cidades de Timon e São Luís.

Foram presos dois investigados identificados pelas iniciais E. A. A., de 40 anos, e I. de S. S., de 28 anos.

Segundo a investigação, um dos suspeitos exercia papel estratégico na expansão do esquema, sendo responsável por atrair novos investidores com promessas de altos lucros.

Durante a operação também foram apreendidos materiais que poderão contribuir para o avanço das investigações.

Empresa teve atividades suspensas

A Polícia Civil informou ainda que a empresa XTREME TRADE, registrada na Junta Comercial do Piauí e apontada como peça central do esquema, teve suas atividades suspensas por determinação judicial.

De acordo com a investigação, a empresa era utilizada para captar recursos de investidores com a promessa de rendimentos mensais de até 10%, prática que apresenta características típicas de esquemas financeiros fraudulentos.

Além da suspensão das atividades, a Justiça autorizou, caso as irregularidades sejam confirmadas ao fim do processo, a extinção definitiva do registro da empresa.

Investigações continuam

A Polícia Civil segue analisando documentos, movimentações financeiras e equipamentos apreendidos durante as operações para identificar novos envolvidos, localizar o principal investigado e ampliar o número de vítimas reconhecidas oficialmente.

As investigações também buscam rastrear o destino dos recursos movimentados pelo grupo e reunir provas para responsabilizar criminalmente todos os participantes do esquema.