O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, está preparado para receber mais uma operação espacial. A empresa sul-coreana InnoSpace pretende realizar, nesta quarta-feira (19), às 15h45, o voo inaugural do foguete suborbital SEBIT.
A operação dependerá das condições meteorológicas, da prontidão técnica do veículo e dos protocolos de segurança. Caso não seja possível lançar na data prevista, a missão poderá ser remarcada dentro da janela que permanece aberta até 28 de agosto. O cronograma foi confirmado pela InnoSpace e pela Agência Espacial Brasileira.
Ensaio reproduziu procedimentos do lançamento
A última grande verificação antes do voo foi realizada em 14 de agosto. O ensaio geral simulou a sequência operacional programada para o lançamento, incluindo abastecimento, acionamento dos sistemas de controle, integração do foguete com as instalações terrestres e aplicação dos protocolos de segurança.
A atividade permitiu avaliar a comunicação entre o veículo e os equipamentos instalados em Alcântara. Com a conclusão do procedimento, a empresa encerrou a principal etapa de preparação do SEBIT no local do lançamento.
Durante o voo, serão analisados o funcionamento do motor, a estabilidade do veículo e os sistemas de orientação, navegação, controle, telemetria e segurança. Os dados coletados deverão ajudar no aperfeiçoamento do foguete e na estruturação de futuros serviços comerciais.
O que diferencia o SEBIT de um foguete orbital?
O SEBIT não foi desenvolvido para colocar satélites em órbita. Trata-se de um foguete suborbital multipropósito, projetado para transportar equipamentos e experimentos a altitudes entre 50 e 100 quilômetros.
O veículo poderá ser empregado em pesquisas de microgravidade, testes de componentes espaciais, experiências científicas e demonstrações tecnológicas realizadas em ambientes de alta velocidade e altitude.
Entre os setores que poderão utilizar esse tipo de serviço estão as áreas espacial, de defesa, biotecnologia, medicina, saúde e materiais avançados.
O foguete possui motor híbrido com 3 toneladas de empuxo e sistema de telemetria integrado, responsável por transmitir informações sobre a posição do veículo, seu desempenho e a situação da carga transportada.
Motor passou por teste de 83 segundos
Antes de enviar o veículo ao Brasil, a InnoSpace realizou, em 3 de agosto, o teste de qualificação de estágio nas instalações da empresa em Geumsan, na Coreia do Sul.
O motor híbrido permaneceu acionado durante 83 segundos, período equivalente ao perfil planejado para essa etapa do voo. A avaliação também contemplou a estrutura, os sistemas aviônicos, a alimentação de propelentes e o controle do foguete.
Segundo a companhia, os resultados confirmaram a estabilidade do sistema de propulsão e encerraram a campanha de qualificação em solo do SEBIT.
Missão marca retorno após acidente de 2025
O lançamento será o primeiro realizado pela InnoSpace em Alcântara desde o acidente com o HANBIT-Nano, ocorrido em dezembro de 2025. Na ocasião, o foguete orbital apresentou uma falha após a decolagem e a missão foi encerrada sem que as cargas fossem colocadas em órbita. Não houve feridos.
Diferentemente do SEBIT, o HANBIT-Nano foi projetado para levar pequenos satélites ao espaço. A empresa planeja realizar uma nova tentativa com esse modelo em novembro de 2026.
A futura missão deverá transportar o InnoSat-0, satélite de testes desenvolvido pela própria InnoSpace. O voo será utilizado para verificar as modificações realizadas no lançador após o acidente e avaliar seu desempenho em condições reais.
A previsão para novembro ainda dependerá do cumprimento de exigências técnicas, operacionais e regulatórias, além das condições meteorológicas e dos requisitos de segurança.
Operação envolve instituições brasileiras
Para realizar o voo do SEBIT, a empresa sul-coreana utiliza a infraestrutura de Alcântara por meio de acordo firmado com a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (Alada).
A campanha é coordenada com a Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pelo Centro de Lançamento de Alcântara, além da Agência Espacial Brasileira e de outras instituições envolvidas na operação.






