Bancários aprovam paralisação nacional de 24 horas nesta quinta-feira, 20

Categoria mantém mobilização após bancos retirarem proposta de reajustes por faixas, mas não apresentarem índice para salários.
Bancários aprovam paralisação de 24 horas nesta quinta-feira, 20
Bancários aprovam paralisação nacional de 24 horas nesta quinta-feira (Foto: Reprodução)

Bancários de diferentes regiões do país aprovaram uma paralisação de 24 horas para esta quinta-feira (20). A mobilização integra a Campanha Nacional Unificada 2026 e poderá afetar o atendimento presencial nas agências, conforme a adesão dos trabalhadores em cada estado e município.

A decisão foi tomada em assembleias organizadas por sindicatos da categoria. No resultado nacional divulgado pelas entidades, 97% dos participantes rejeitaram o modelo apresentado pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), enquanto 90% votaram a favor da paralisação.

O movimento reivindica aumento real nos salários, valorização dos pisos, reajuste da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), recomposição dos auxílios alimentação e refeição e melhores condições de trabalho.

Bancos recuam, mas não apresentam reajuste

Na rodada de negociação realizada nesta terça-feira (18), a Fenaban retirou a proposta que previa reajustes diferenciados para três faixas salariais e o congelamento do piso de ingresso para novos empregados.

Apesar do recuo, os representantes dos bancos não apresentaram um índice de correção para salários e demais verbas. Diante da ausência de uma proposta econômica completa, o Comando Nacional dos Bancários decidiu manter a paralisação de quinta-feira. Mais de 50 mil trabalhadores participaram das assembleias realizadas no país.

Na negociação anterior, a Fenaban havia colocado em discussão a aplicação de percentuais diferentes conforme a faixa salarial, sem revelar os valores. Também havia sugerido o congelamento do salário inicial dos futuros contratados.

Durante uma reunião que durou aproximadamente oito horas, chegou a ser avaliada a redução dos vales-refeição e alimentação em cidades do interior. Esse ponto foi retirado pelos representantes dos bancos.

Rejeição superou 90% em vários estados

Os resultados das assembleias indicaram ampla rejeição ao modelo inicialmente apresentado. Em São Paulo, Osasco e região, 97,66% dos participantes votaram contra a proposta e 89,34% aprovaram a paralisação.

Na Paraíba, a rejeição alcançou 96,48%, enquanto 95,02% apoiaram a suspensão das atividades. No Rio de Janeiro, 1.760 dos 1.808 votantes rejeitaram os termos e 1.709 defenderam a mobilização.

No Maranhão, o Sindicato dos Bancários havia levado a campanha ao interior e iniciado a preparação de um estado de greve. A abrangência da paralisação nas agências maranhenses dependerá da adesão local dos empregados.

O que os bancários reivindicam

Além do reajuste salarial acima da inflação, a categoria cobra aumento dos valores pagos nos benefícios, preservação dos empregos e abertura de novas vagas.

A pauta também inclui:

  • valorização da PLR;
  • criação de piso salarial para profissionais de tecnologia da informação;
  • combate às metas consideradas abusivas;
  • medidas contra o chamado assédio algorítmico;
  • manutenção da mesa única de negociação;
  • cobertura da Convenção Coletiva de Trabalho para toda a categoria;
  • preservação e ampliação do atendimento presencial.

A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, afirmou que os trabalhadores não aceitarão propostas sem avanços concretos nos salários, pisos, PLR e benefícios.

Entidades citam lucros e fechamento de agências

As reivindicações são justificadas pelos representantes sindicais com base nos resultados financeiros do setor. Segundo dados apresentados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), os bancos lucraram mais de R$ 124 bilhões em 2025 e encerraram o período com patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão.

A entidade calcula que o vale-alimentação acumulou perda real de 13% entre 2019 e 2025. Para recuperar o poder de compra registrado no início desse período, o benefício precisaria subir dos atuais R$ 924,47 para R$ 1.293,73.

Os sindicatos também apontam a eliminação de 88 mil postos de trabalho e o fechamento de aproximadamente 9,5 mil agências entre 2015 e 2025. No mesmo intervalo, os cinco maiores bancos teriam aumentado em 49% a contratação de trabalhadores terceirizados.

Outro ponto apresentado durante a campanha é a saúde dos empregados. Conforme levantamento citado pelo movimento sindical, 40% dos bancários utilizaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, entre maio de 2025 e maio de 2026.

Atendimento presencial também está na pauta

A categoria defende a manutenção das unidades físicas diante da redução da rede bancária. As entidades argumentam que aposentados e outros clientes ainda dependem do atendimento presencial, especialmente nos primeiros dias do mês.

Também citam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo os quais cerca de 17 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet.

A orientação aos clientes é antecipar operações que exijam atendimento presencial. Aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos e Pix devem continuar disponíveis, embora eventuais serviços internos possam sofrer impacto conforme a adesão ao movimento.